São exatamente 21hs22. Enquanto eu tô rabiscando essas linhas e o único barulho, são os carros lá fora, meu choro e o teclado. Estava passeando pelo instagram, pelo face e todas as minhas redes sociais, quando comecei a ouvir o barulho do meu silêncio. Perturbador, me denunciou coisas gravíssimas. Eu tentei ligar para uns dois “amigos”, mas sem sucesso, não consegui conversar com ninguém. Eu entrei em colapso, senti falta de ar uma três vezes. Quem me conhece, bem intimamente, ou já me ouvi comentando alguma coisa, sabe do que estou dizendo. As minhas mãos estão geladas. Meu estômago já embrulhou umas três vezes também, sinto náuseas, mas não coloco nada para fora. Nesse momento a minha cabeça dói um pouco. Mas escrever me parece o melhor remédio de todos. É a minha oportunidade, a minha única oportunidade de vomitar tudo que está entalado. Dessa vez não tem história de amor, não tem nada sexy e nada pateticamente bobo.

Meu desafio, sempre foi eu mesma. Engraçado, pateticamente eu sempre acreditei nas histórias de amor. Sempre acreditei que colocar esse tipo de coisa em linhas, me faria melhor. De fato, eu sempre me sinto melhor, mas de uns tempos pra cá não. Eu comecei falando de redes sociais e agora já tô falando de amor. Calma, eu vou junta tudo e te mostrar onde eu quero chegar: perfeição.

Tô em uma daquelas crises, que pouquíssimos sabem que passo por ela. Não que eu esconda o que me acontece, nunca fui dessas. Na verdade eu falo tudo, eu sempre falo tudo e quem me lê sabe que até segredos em versos eu tenho contado. Mas o foco aqui é o seguinte, essa felicidade exacerbada das redes sociais, essas fotos perfeitas, essas maquiagens intocáveis, me desesperou nessa noite. Eu fiquei sentada, em transe, no chão da cozinha, tentando entender em que parte da minha vida, eu seria a pessoa das minhas redes sociais. Tenho vários seguidores, tem um monte de gente e não tenho ninguém. Sim, você não leu errado, tem gente pra caramba, mas não tem ninguém. Tem um monte de elogio, mas não tem ninguém me olhando. O sorriso perfeito, a boca sexy e linda, os olhos meigos, essa porra toda que enche e não preenche.

Ali em transe, eu fiquei me perguntando, quando foi que eu me tornei isso? O pedaço de carne bonito ou uma espécie de holograma com vida perfeita? Não, não é bem assim. Sabe o que é? Nas redes sociais, nessa era onde as pessoas se pisam, se matam, e traem umas às outras, estão todos atrás de aplausos e esse parece um bom caminho né?! É, se o foco for os aplausos sim. Mas eu tô seguindo, tô meio sem rumo, mas eu tenho prumo. Eu quero e preciso transbordar. Gastei quinze minutos aqui, me sinto mais leve. O barulho ainda são dos carros lá fora e agora também do meu coração.

Mas porque tá dizendo isso tudo? Porquê de repente esse balanço reflexivo de algo que tá todo mundo cansado de saber? Simples, porque é impossível rir da mesma piada por dez vezes. Você não tropeça no mesmo lugar dez vezes, se está tropeçando, certamente tá tapando os olhos com as próprias mãos. A vida perfeita não existe e nunca existiu. A premissa da felicidade, é antes de qualquer coisa, ser. Enfim, entre toda as coisas, transborde, inunda a porra toda, mas não se afogue tentando chegar onde não é teu lugar.  Porque em um pedacinho de papel ou na história de alguém no amanhã, queira ser mais que um pedaço de carne sexy, queira ser aquilo que você é!

Afinal, os dias estão passando e você não vai poder voltar amanhã para dizer que ama, para dizer que quer ficar, ou pedir desculpa. Não vai pode voltar amanhã para beber com os amigos, não vai pode repetir o hoje, só para dançar sua música preferida ou almoçar com aquela companhia que tanto lhe faz bem. Talvez o segredo nem seja os aplausos, mas reconhecer que nessa vida doida e maluca, as vezes o sucesso está no fracasso mesmo.

No fracasso de não ter tudo perfeito e no lugar, dos laços mal feitos. As vezes o sucesso está no fracasso daquele monte de compromissos empilhados, mas em belos momentos guardados. As vezes, o sucesso, ser top, é só a sensibilidade de sentir e se permitir. Porque como cantou Lulu: “Não há tempo que volte amor”….

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

CATEGORIA

Thamires Benetório

Tags