Já imaginou um amor de livraria?
 
Eu já.
 
Um amor que se inicia lá pelas sessões de literatura, sob a bênção de Machado de Assis, de Rubem Braga, de Vinícius de Moraes.
 
Um amor inspirado em toda a atmosfera que só uma livraria pode transmitir. Uma volta ao mundo. Um encontro capaz de guiar qualquer autor.
 
Ah, bem que eu iria gostar…
 
Não são poucas as horas que passo dentro de livrarias, folheando livros e descobrindo novos autores. Sento na  poltrona e às vezes leio um livro inteiro. Abduzido dessa cidade, transportado pra qualquer parte do mundo ou da galáxia. E numa dessas, ainda esbarrar com um novo amor. Sim, podem me chamar de sonhador, mas já idealizei essa situação. E por várias vezes.
 
Algo como um acidental esbarrão pelos corredores devido à atenção voltada para a leitura. Ou as mãos se encontrando por acidente na tentativa de pegar o mesmo livro ao mesmo tempo. Algo pode ser mais marcante do que um mesmo gosto literário?
 
Acho que não.
 
Encontrar um amor enquanto se perde na leitura. Ela está ali, desligada do mundo, despretensiosa em absoluto, apenas preocupada em ajeitar os cabelos pra que não caiam sobre as páginas do livro. Tão dentro de si, quase que acolhida em colo de mãe, com o coração tão cheio de paz e de sorrisos fáceis, que entregam o quão tomada está pela leitura, e nesse momento ela é unicamente alma, adentra às páginas e por vezes entrega um suspiro que comove, um suspiro tão natural de quem deseja todo o amor contido naquele romance. E, acreditem, nesse mundo não há nada mais belo do que uma mulher lendo um livro. É o arranjo perfeito. As lojas de cosméticos que me perdoem, mas tô pra ver produto de beleza mais charmoso e natural.
 
Que lindo seria o casual se tornando eternidade. Entre uma e outra prateleira, em cada estante, em cada sessão, tô pra ver lugar mais propício. Barzinhos? Boates? Que nada. Acredito no amor que não sabe que é. Que não não faz poses, que enxerga a beleza mais natural e instintiva, que sabe mergulhar nas histórias e transformar toda ficção no romance mais sincero e verdadeiro. E ao final do dia, não devolver o livro à estante. Levá-lo não somente pra casa, mas pra toda a vida, e assim perceber que somos nós quem escrevemos as histórias mais bonitas, e pra nossa sorte, sem imaginar qualquer final. 
 
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Brunno Leal

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