Desde pequena nunca me vi como uma pessoa encaixada no normal. É que sempre gostei de sonhar, de imaginar, de criar. Amava fugir da realidade, até por isso veio o amor pela leitura.

Eu já fui sereia, princesa, escritora, atriz, fada. Já fui tudo isso e muito mais, porque quem têm sonhos pode ser qualquer coisa. Antes de tudo, não digo que me acho especial ou coisa parecida, só não me encaixo no normal e nem pretendo. Gosto de flutuar, de imaginar. Mas é triste ver que, para tantos, isso é quase um crime.

É um crime não sonhar em ser o que eles são, é um crime não me contentar com o mundo real, é um crime imaginar que posso sim ser o que eu quiser, por mais impossível que pareça ser. É? Digo apenas que continuarei não me contentando com o pouco que a realidade me dá. Vivo no país das maravilhas, sou como Alice. Não adianta me achar louca, me olhar com cara feia, me dizer pra parar. Eu não vou parar.

Não tente me parar.

Me incomoda ver essa verdade absoluta que todos aceitam e insistem em me fazer aceitar. É como se o aceitável fosse fincar os pés no chão e de lá não sair mais. Escola, faculdade, trabalho, morte. Pronto, qualquer outra coisa fora disso?Loucura.

“Alice: Chapeleiro, você me acha louca?
Chapeleiro: Louca, louquinha ! Mas vou te contar um segredo: as melhores pessoas são.”

Quer saber? Eu vivo sim no país das maravilhas, eu acredito nos meus sonhos. Vivo neles. É como se todos já fossem realizados, sabe? Porque eu não me esqueço deles nem por um segundo. Sonho acordada, sonho dormindo. Difícil mesmo é me encontrar na vida real.

Por isso, gosto de gente que não se deixou afundar pelo peso da vida e continuou voando. E que me leva pra voar junto, arrastando pela mão. Gosto de quem não me empurra realidade a dentro. Eu não caibo na realidade, e não existe líquido mágico algum que possa me fazer caber. E se aparecer um, aviso logo que ignorarei o “beba-me” escrito no rótulo.

Sei que a realidade pode ter amargurado demais algumas pessoas, pode ter as tirado do país das maravilhas, mas vou dizer uma coisa: nada está perdido. Sabe? Ainda não acabou, ainda pode acontecer. Ainda vai acontecer, se você sentir que vai. Eu sinto.

Só o que desejo é que nossos sonhos sejam guias, como um coelho atrasado correndo por aí, iluminando toda a escuridão. Expulsando todos os monstros que se escondem no escuro do medo.

Eu tenho um sonho, um sonho que sonho de olhos abertos todos os dias. Um sonho que anda por aí correndo feito o coelho da Alice, insistindo em me levar pra lá. Todos os dias.

E vou continuar sonhando, até a realidade se transformar no mundo dos sonhos. Pode me chamar de Alice.

Ou melhor, eu não sou Alice.

Porque Alice precisou cair pra entrar no país das maravilhas, mas eu não. Já vivo nele, e daqui, não saio mais.

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Bruna Frotté

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