Se alguém consegue explicar os motivos pelos quais ama alguém, com certeza amor não é. Amor é irracional, é ilógico, é delírio puro e dilacerante; não se pode explicar o amor. Deixem a lógica para os físicos, químicos, matemáticos e todos aqueles que são escravos da exatidão. Sentimento não é mensurável, não é tributável, não é contabilizado no conjunto das coisas da vida. Não existe equação para o amor e, mesmo que houvesse, o resultado com certeza seria uma dízima periódica robusta e fria. Esqueçam as fórmulas e os sistemas, nada disso funciona com a maior das forças naturais. Amar é simplesmente amar!

Sempre que toco neste assunto (amor), me lembro da canção de um amigo, que diz: “O amor é forte como a morte/ Que transcende todos os temores que tentam me privar de você”. A reflexão parte de um conceito bíblico e, para os apaixonados, faz todo o sentido prático. A morte é inevitável para todos. Há quem diga que a morte é uma das poucas coisas justas nesta terra; todos morreremos, jovens, velhos; ricos, pobres; pretos e brancos…É impossível escapar dela. O que quero dizer é que a morte é uma das forças mais poderosas (que irônico!) da vida! E por isso compará-la ao amor é, talvez, a analogia perfeita.

O amor, por sua vez, nem sempre é justo. Então para que serve o amor, se nem todos conseguem amar? Gosto de pensar que o amor é antítese da morte. Com ele, a longa caminhada da vida se torna mais simples, mais prazerosa e quente. Se você já amou de verdade, sabe do que estou falando. Como dizer isso de forma compreensível e lógica? Impossível. Só concebo amor como o inconfessável para os homens, como a incerteza da alma. Quem ama nunca sabe por que. Se sabe, está mentindo, nega a essência magna desse Deus! Sim, o amor para mim é um Deus! E como tal, pode te consagrar ou te amaldiçoar para todo o sempre, com a justiça do divino!

Às vezes amar dá medo, mas se entregue! Será arrebatamento total, como uma explosão! Perca o controle, pule sem medo: o amor é um despenhadeiro! Amar é como voar, sim como voar! Os pássaros aprendem a voar se jogando dos mais altos lugares. Acha que eles não se amedrontam? Acha que eles refugam? Sim, mas apesar disso eles vão. No jardim aqui de casa há um ninho de pardais. Inicialmente, eram três filhotes, hoje só sobrou um, na verdade uma. Batizei a sobrevivente de Luna.

Era sábado, cinco e pouco da manhã, mas o sol já estava claro, acordei e ouvi uma agitação estranha na macieira. Confesso que não dei a menor pelota para o barulho, no entanto, alguma coisa me fez levantar e ir até a cozinha. Procurei por café, mas não tinha. Fui ao armário, apanhei pó, o bule, o coador e fui até a pia para lavar o vasilhame. Quando olhei para fora, lá estava Luna e sua mãe em uma curiosa agonia. Pareciam discutir; gozado. Na minha cabeça as duas discutiam, algo mais ou menos assim:

― Está na hora, Luna!

― Eu tenho medo, muito medo!

― Precisa ir, Luna, só você pode encarar o vento!

Voltei do imaginário, quando dei por mim, Luna já estava voando. Foi meio desajeitado, batendo nas plantas, mas logo ela chegou ao chão. Depois levantou novo voo e voltou para o ninho. Uma cena bonita. Quando vi, pensei o mesmo sobre o amor. Sim, o amor é assim!

Mas é preciso uma advertência: para voar ou amar é preciso estar preparado! É preciso sentir o momento! Assim como um pássaro tenta voo sem ter formado completamente as assas, não se pode amar sem ter a certeza que seu corpo, mente e espirito estejam em comunhão. Amar não é para tolos, exige experiência. Amar assim é o mesmo que tentar sair do ninho sem assas: é um salto sem volta no abismo. A queda mata! Não tenho mais o que dizer sobre o amor, afinal de contas, o amor é inexplicável! Não explique o amor a ninguém, nem crie expectativas sobre ele. Apenas sinta e se entregue. Quando é amor, o sentimento vai ser diferente!

 

 

 

 

 

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Flávio Sousa

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