Ela sentiu saudade quando era tarde demais. E hoje, sabe o que ela faz? Ela chora no meu ombro e me conta como queria ter ele de novo. Ela pediu pra ir embora, mas não foi pra frente. Ficou pra trás. E tá tão atrás, que nem enxerga ele mais.
Tudo o que ela falava era nada com nada. E ao mesmo tempo, ela sentia tudo. Ela travava a fala um pouco antes de terminar cada frase. E travava de novo antes de começar a próxima. Ela só não deixava de falar por um segundo. Pra mim, era nada. Pra ela, era o fim do mundo.
Eu já tinha ouvido muito sobre teoria, mas a prática era novidade. E quando mais eu ouvia, mas ela falava sobre dores que não vem embaladas com prazo de validade. É chuva forte, com vento forte, com ar frio e com uma triste e infeliz cara de tempestade. Mas não era tempestade, era uma simples dor de saudade.
Resquícios de uma dor irreparável. Detalhes que não foram esquecidos. Momentos, histórias ou meros flashes do que não vai acontecer mais. São os nuncas, os tudos e os nadas. São poesia sem rima. E rimas sozinhas. É amor sem presença literal. É literatura sem a verdade escondida por trás da ficção. É a intenção sem ação. É pérola sem anel, colar, ou alguém para usar. É passado sem alegria, é presente sem uma presença que te deixe alegre.
E nas vezes que ele chegou perto, o coração disse pra ela falar, mas ela insistia em olhar de longe alguém que queria por perto. Não sei se foi por falta de coragem, ou por incerteza. Mas o certo é que ela perdeu tempo demais pensando que se acostumaria com a falta de alguém que ela queria presente. E hoje ela tem sorriso ausente e as lágrimas sinceras de um choro que não mente.
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Deivid Rafael

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