“Quando você completar trinta anos, já tem que estar com a vida feita, viu?”

A primeira vez que eu ouvi essa frase, eu fiquei atordoado. Eu mal havia completado vinte anos, e, de repente, descobri que em menos de uma década eu deveria estar com o meu castelo todo de pé; com uma sólida formação acadêmica, com um emprego que me pagasse uma quantia de dinheiro muito maior do que eu realmente precisava, com uma casa própria, um ou dois carros na garagem…

Eu tinha apenas vinte anos de idade. Vinte anos.

O que uma pessoa tão nova pode decidir em relação ao seu futuro? Por que não dar mais tempo? Por que seguir o mesmo caminho que outros seguiram? Por que não sair da zona de conforto?

Mas para todas essas perguntas, a resposta era sempre a mesma: “Porque não”.

“Porque não” significava a lembrança de algo que não deu certo com um familiar há doze anos atrás. “Porque não” significava o medo de você não fazer engenharia, medicina ou direito, e, dificilmente conseguir arrumar um bom emprego no futuro. “Porque não” significava não poder olhar nos olhos dos familiares e dizer: “Viu só onde o meu filho chegou?”

Porém, já naquela idade, eu estava decidido a não ser mais um “porque não”. Apesar dos meus vinte anos, eu já carregava uma vontade de viver que me impedia de seguir por uma direção que não me arrancasse um sorriso a cada passo dado. E o que eu fiz dali em diante, foi me tornar um “porque sim” para todas as coisas que fizessem o meu coração bater mais forte.

Foi então que eu desisti de pessoas. Abandonei cursos de graduação quase completos. Me desapeguei de sonhos que nunca foram meus. Mudei as minhas amizades. Perdoei todas as pessoas que me magoaram de alguma forma. Esqueci tudo aquilo que não tinha mais perdão. Me livrei de pessoas tóxicas. Comecei a dar menos valor às coisas materiais. E, principalmente, comecei uma história de amor com a pessoa mais importante da minha vida: EU.

Hoje em dia, apesar dos meus 28 anos, ninguém mais me pergunta se a minha vida estará resolvida aos 30. Pois, agora, eles sabem que eu só me preocupo em ser feliz. E, isso, eu já venho fazendo desde os meus vinte anos de idade.

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Neto Alves

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