Nem foi tão ruim assim, parar de planejar o futuro ao seu lado, parar de modificar o presente pra te fazer caber nele cada dia. Deixar de colocar tuas roupas no lugar quando você jogava no armário de qualquer jeito… esquecer a pequena abertura dos teus lábios quando você sorri ao mesmo tempo que seus olhos diminuem, ou como seus cabelos brilham quando o sol os toca. Nem foi tão ruim assim me acostumar a não desejar que você estivesse aqui para me aninhar em seu pescoço depois de um dia difícil, ou para dançarmos aquela música pela enésima vez, sim, essa mesma música que celebrava o nosso “amor infinito”. Nem foi tão ruim me acostumar a não ter mais o seu olhar me sondando em todos os cantos como se eu fosse importante o bastante para nunca estar sozinha, ao menos não enquanto eu tinha você! Ter seu cheiro me privando de qualquer outro sentido que não me fizesse te querer, e ele ainda continua aqui, como um espectro designado a me fazer viver de lembrança das coisas que nem chegamos a viver. Nem foi tão ruim me sentir desamparada com a sua partida, quando você simplesmente foi embora enquanto eu fazia promessa a todos os santos para que você me acalmasse, beijasse minha testa e dissesse que foi tudo um engano… que nada importava mais do que nós, assim como você fez todas as outras vezes, mas me destruiu ver o seu olhar vazio. Eu tento enganar a mim mesma ao tentar acreditar que está tudo bem, que a vida segue mesmo sem você, eu tento acreditar nisso enquanto penso que vou te encontrar em cada esquina que viro, em cada carro que passa, enquanto tento me acostumar com a ideia de que seu lugar não é mais aqui, que não está mais aqui preenchendo todo o meu mundo porque você está por ai, em algum lugar vivendo o que eu não posso mais ter, mas eu juro que tento seguir em frente enquanto as lágrimas insistem em cair. Nada disso é tão ruim quanto tentar encontrar a vontade de te esquecer mas nunca encontrar, e que seu amor foi como uma rosa no deserto, perdendo suas pétalas em lugares desconhecidos até que virasse pó e eu perdesse todos os rastros e eu ouço o som do tempo passando e dando mais forma ao vazio doloroso que você deixou… Talvez um dia você se torne apenas uma cicatriz, no lugar desse machucado incomodo e talvez assim eu possa pensar em você e lembrar dos momentos felizes que já tivemos e ser grata por sentir o que já senti com você, mas por hoje eu só quero tentar te esquecer para poder viver uma vida sem você, a mesma vida que você prometeu que eu nunca iria ter que viver.

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Marcinha Rocha