Gosto quando você se despe.

Quando tua roupa ainda te cobre, mas vejo na íntegra tuas vontades. Quando nos transformamos em nós tão cegos quanto olhos de amor.

Gosto quando você se despe.

Quando teu corpo é só detalhe e teu “eu” me tira a concentração. Quando beija meu coração e usufrui.

Gosto quando você se despe.

Quando toca meus abraços enlaçando nossos planos. Quando teus silêncios são pontes para as minhas novas ideias.

Gosto quando você se despe.

Quando está cheio de quietude, mas sei que dança por dentro. Quando me olha e chama sem dizer uma só palavra.

Gosto quando você se despe.

Quando diz que vai embora, mas me tem de tal forma, que reconcilia teus afetos com minhas tolas discussões. Quando encoraja meus passos e sei que também está com medo.

Gosto quando você se despe.

Quando pede um suco e sei que queria vinho. Quando se equilibra, mas sei que a embriaguez (a doce embriaguez) tomou conta de ti.

Gosto quando você se despe.

Quando foge de si mesmo, mas sei que o melhor de ti ainda está aí. Quando engrossa o verbo, e teu coração fala tão delicadamente.

Gosto quando você se despe.

Quando silencia, mas sei que insiste. Quando continua, mas já se fez desistência por dentro.

Gosto quando você se despe.

Quando não é o que parece. Quando eu sei (e você sabe que eu sei) o que te completa, o que te transborda e o que te quebra só por amar-te. Quando se veste para todos, mas despe a alma só para mim.

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Das Dores Monteiro

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