A dor é extremamente aguda, o corpo está paralisado, a mente presa no último feeling da despedida. Eu não sei de onde tirei forças para simplesmente seguir em frente, anos de uma história jogada no ralo, dor, saudade latente, medo e um bocado de incerteza sobre o futuro. Foram tantos momentos sonhando com a liberdade que agora de fato eu me pergunto o que vou fazer com ela?

A história já estava fadada a um final, as estações mudaram, o vento se tornou cortante, a solidão fez morada no meu sótão e a sinto veemente se espreitar sob minha pele. Somos um acumulo de perguntas sem respostas, a rotina corriqueira e desenfreada que dava abertura para pausas contadas no cronometro para um beijo roubado ou um abraço no final do expediente.

Minhas vontades foram ficando mais vorazes, tanto quanto a sua incapacidade de me entender, minhas surpresas não te roubavam mais sorrisos e seus abraços não me davam mais a segurança de um lar. Eu quis gritar: “Ei! Me note”, mas você tão compenetrado em seu próprio mundo foi me deixando de lado, assim como os seus vinis sobre a prateleira de sua tia avó.

Eu programei a viagem de férias você passou o tempo todo reclamando, te escolhi a sobremesa mais deliciosa que um dia eu já experimentei, você ficou horas no celular, pedi para o garçom recolher o seu prato e você se quer titubeou. Eu queria andar de mãos dadas pela noite estrelada de Paris enquanto você me irritava com sua urgência de voltar para o hotel porque ainda tinha muito trabalho a fazer.

Eu, poeta. Você homem de negócios, eu ainda tão guria e você completamente maduro, eu querendo desbravar a América e você querendo ser presidente, eu vou ao supermercado com pantufas de joaninha enquanto você tem um terno para cada dia da semana. Foi quando fui me desprendendo de suas mãos e você nem se quer notou que eu já estava de partida mesmo que você estivesse de chegada.

Por mais que eu tentasse correr em sua direção você fugia pela tangente, eu te amei por nós dois o tempo suficiente que meu coração conseguiu aguentar. Você ainda me ama eu sei disso, mas está tão cego em seus próprios desejos que não tem mais a calma de me olhar serenamente e distinguir que não estou sorrindo para você, isso é realmente a nossa despedida.

Quando duas pessoas se amam, mas não se encontram na mesma sintonia, o amor tudo faz, ele se cria, recria, fere a pele e faz sangrar o coração, ele grita por socorro até nos jogar em uma prisão sem sonhos e de tardes sem sol. Eu te amo mais desejo a liberdade, morro a cada segundo contemplando o mesmo sorriso que um dia roubou todo meu amor não sendo mais suficiente para que eu fique por aqui. Eu te amo e talvez irei te amar para sempre, mas nossos mundos estão à beira de uma colisão, antes que subam as estatísticas de danos fatais me retiro dessa história, aqui da arquibancada irei sempre torcer pela sua felicidade mesmo que não sejamos mais nós. E acima de tudo te desejo um amor que te faça se sentir vivo mesmo que completamente dependente do amor de outra pessoa.

A graça não se encontra em ter uma pessoa, mas sim ser de outra pessoa, amor não é posse, amor é complemento, é estar com alguém porque não existe outro lugar que desejamos estar.

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Re Vieira

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