“Saio da livraria, atravesso o sinal e paro na calçada, olhando para o mar. O vento frio, vindo do mar, no entardecer, nos abraça igual ao filho que, separado da mãe, volta a reencontrá-la. O sol, calmamente, vai se escondendo atrás do grande monte que fica no fim da cidade – ainda consigo ver algumas casas empoleiradas ao longo do gigante.

Muitos estão com seus aparelhos celulares registrando a paisagem. No impulso, como quem está acostumado com a tecnologia, coloco minha mão no bolso para pegar o celular – imagine quantos likes e visualizações este cenário terá nas redes sociais? No entanto, paro e repenso, resolvo absorver toda a imagem e guardar apenas na minha memória, abarcando cada detalhe.

Meu repertório de palavras é limitado para o que guardo na mente, mas garanto que é uma das mais lindas obras que Deus nos presenteou. Aqui, aprendi que as memórias que nutrem boas lembranças são aquelas que capturamos pelos olhos da alma.

Amanhã quero que seja um dia diferente, vou acordar dando uma piscada pra vida, gentileza gera gentileza, se ela recebe de ti sentimentos bons, pra ti ela devolverá sentimentos melhores ainda. Voltarei aqui, farei novamente o mesmo percurso, e irei observar tudo como se fosse a primeira vez que aqui meus olhos se perdessem. A beleza rara se encontra na camuflagem de uma circunstância, de gastarmos um pouco mais de tato para enxergar aquilo que não está a mostra, e podermos descobrir que nos bastidores existe um espetáculo tão incrível quanto o homem de sorriso forçado que no palco está a entreter a plateia.

Analise o cenário e deixe se seduzir pela alma do palhaço e não unicamente pelas suas peripécias em um trapézio. A humanidade se perde na cobiça e no poder, enquanto a vida é construída de simplicidade e momentos impagáveis. Hoje, aqui fora, o céu está dando um show de boniteza. Onde está a sua verdadeira admiração?

Estou aqui, a selva é de pedra, o desejo é de mar, o pôr do sol convidativo me traz a nostalgia que vivo tentando deixar pra lá. Abstinência de momentos que ficaram apenas no filtro da lembrança. A esperança de um novo nascer do sol vêm e me traz na bagagem novos sentimentos bons. E que seja sempre assim, um novo espetáculo ao cair do luar, e que a fé chegue com o sol nos seus primeiros vestígios ao raiar.”

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Jhonata Santos, Re Vieira

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