A gente cresce se acostumando com as mentiras, já reparou? Tudo começa de pequeno, quando a mãe oferece um remédio e mente dizendo que é bom. A gente toma na fé, mas se frustra, porque era uma mentirinha. Ou quando a mãe dizia que era ‘só dar um beijinho que passa’. O carinho aliviava o choro, mas a dor não passava não…

A gente acreditou nos contos de fada, no papai-noel, no coelhinho da páscoa e até na fada do dente. Quem dá dinheiro fácil assim? Os anos passam e a gente vai descobrindo que os mimos eram todas mentirinhas inocentes pra deixar a gente mais feliz e acabamos por acreditar que valeram a pena, não é mesmo? Assim a gente segue nesse ciclo de inverdades inocentes. Algumas são contadas para não magoar o outro, outras para não magoar a nós mesmos. Umas evitam atritos, outras trabalho. E aos poucos vamos colecionando um monte delas.

Mais triste do que acumular mentiras é aceitar outra porção delas. A gente sabe que a amiga não estava dormindo ou que o pneu do namorado não furou, mas a gente engole. Aceita para evitar o estresse de uma briga, para acalmar o coração ou só para se enganar e fingir que está tudo bem. Todos os dias são mentiras e mentiras que a gente aceita para evitar a fadiga. ‘meu celular não despertou’, ‘achei que você quem tinha me excluído’, ‘perdi a conversa, por isso não te respondi’, ‘oi amiga, me ligou? Estava ocupada’, ‘ah, que pena, já tenho compromisso’, ‘amanhã começo a dieta’… A gente sabe que as coisas não foram assim, a gente sabe que são mentirinhas e ok. Aceitamos. E, aceitando, a gente começa a evitar a fadiga de ter que se explicar e solta mentirinhas também. E a pessoa do lado de lá, digere a mentira e segue tudo bem.

Por que?

porque a verdade nem sempre acaricia o dia e de mazelas estamos saturados. A vida já bate o suficiente na gente, né? Melhor mascarar aqui e ludibriar ali. Assim a gente evita mais um monte de dores e guarda a paz no bolso. O que a gente esquece é que as mentiras pesam, maltratam e acorrentam.

Até quando a gente vai engolir mentirinhas porque ser sincero, ainda, dói?

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Mafê Probst, Monika Jordão

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