Falei teu nome numa dessas tardes de chuva, após sentir uma nostalgia não sei de quê, pois logo nessa tarde a saudade resolveu me visitar. Falei de maneira meio despretensiosa, com um sorriso simples no rosto e com os olhos distantes, como quem busca alguma resposta pra perguntas ainda indecifráveis. Falei teu nome, admito, à beira-mar, olhando lá pra longe, lá pra linha do horizonte, onde simples olhares não conseguem alcançar, onde as ideias vagueiam procurando sentimentos sinceros. Falei sem se dar por mim, sem medir vontades e sem calcular consequências, sem esperar o mais óbvio ou o mais desmedido resultado, falei, e quando reparei, seu nome já ventava por aí, traçando todos os possíveis caminhos, embrenhando-se entre nuvens e estrelas, entre mares e rios, entre florestas e arranha-céus. Falei teu nome sem perceber, depois de um ou dois goles de vodca em algum desses bares da vida, numa madrugada de lua cheia e sorrisos falsos, um vento frio, uma intensa bruma, olhos apequenados e verdades distantes. Sim, falei teu nome com pensamentos remotos, enquanto procurava verdades e não encontrava saídas, quando olhava para o céu e nada entendia daquele infinito azul lá em cima e tão distante, e eu olhava as estrelas mas logo as perdia de vista, naquele céu tão imenso, será que haveria espaço pra mim? Falei teu nome e não foi em vão, falei pois lembrei de você, lembrei de quando tudo ainda era apenas início, e inícios guardam o perfume das próximas manhãs, e eu lembro de quando pensei em jogar tudo pro alto e sair por esse mundo feito um doido, na mochila apenas boas lembranças de ti, ah, inocência minha, querer viver o resto da vida em seus olhos castanhos, em seus vestidos de flores e seus sorrisos que ganham o mundo. Falei teu nome em nome de nós dois, em nome da saudade, em nome próprio e em nome de você, em nome de tudo o que foi verdade – e eu acredito que realmente tenha sido – e em nome de todas as frases impensadas e contidas de toda fidelidade. Eu sei, também falei teu nome naquela madrugada trancado dentro de casa e dentro de mim, garrafas de cerveja espalhadas pelo chão e uma noite pesada de carregar cá comigo, cantei de maneira desafinada aquela música do Engenheiros que sem qualquer piedade fatiava meu corpo: “E o teu olhar sempre distante sempre me engana. /É o fim do mundo todo o dia da semana.” Ainda assim falei teu nome e o carreguei de toda poesia quando espalhei teu brilho por todos os cantos dos mais inóspitos lugares espalhados por aí. Poetizei você com o mais belo soneto dos amores verdadeiros e complacentes, entreguei a ti as rosas daqueles versos tão simples e tão verdadeiros, aqueles versos que tanto lembram você, que lembram nós dois vagando por aí sem qualquer rumo ou direção, pois já estávamos absoluta e verdadeiramente encontrados. Falei teu nome mas falei baixinho, como se cochichasse em algum ouvido, como se escondesse algo, como se tudo fosse um crime e o amanhã só fosse dúvida. Falei e falei sem remorso, falei sem medir esforços, e só falei porque foi verdade. Mas falei e você não ouviu. 
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Brunno Leal