A construção da tristeza

As placas de homens trabalhando estão dentro das almas, as pessoas vivem em obras dentro de si constantemente.  Já despejei a caixa de ferramentas no chão, com o cuidado em que se zela por uma criança.
O martelo coloca cuidadosamente todos os pregos do meu passado para baixo, onde segura tudo o que houve dentro de mim e o que eu quero esquecer. A furadeira adentra meu peito com toda sua força, para pendurar os quadros do presente e do futuro, que me fazem refletir sobre todas as novas fases em que estou vivendo. Estas obras de meu peitoral são abstratas, sem formas definidas e com cores espalhadas pela tela.
Mas em um momento não confio mais nos pedreiros que fazem todo esse árduo trabalho, pois sinto que um dia toda a estrutura firme me segurando, pode vir a desmoronar com um simples sopro.  Os mais ligados ao zodíaco dizem que toda essa falta de segurança é por causa de meu signo, eu já acho que o problema sou eu. Não consigo crer que haja outro escorpiano tão mal de estima por aí.
A gente está aqui, caindo, levantando, tropeçando na mesma pedra e tentando somente melhorar no dia de amanhã. Ouvi alguém dizer que decepção faz parte da estrada. Mas minhas ruas já estão interditadas com o alagamento de minhas lágrimas. CORRAM, ACIONEM A DEFESA CIVIL,  estamos desabrigados. Minha alma está exposta as situações mais adversas deste mundo.
Sobre a tristeza? Provavelmente amanhã passa. Mas o homem que não convive com a pressão externa do dia a dia e não tem vontade de fugir de tudo, não está vivendo direito. Vamos fugir comigo?

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