Ele sumiu. Foi embora de repente. Sem mais nem menos. Sem maiores explicações. Eu quis entender. Quis fazê-lo perceber que o lugar dele era ali, ao meu lado. Por que diabos ele teimava em dizer que não? Será que não era óbvio que eu era a mulher da sua vida? Olha que loucura a minha, quis até amarrá-lo, acorrentá-lo, se possível fosse, ao meu lado.

Não sei… Eu fiquei dependente, sabe? Não sabia mais o que era “eu”, porque na minha vida, desde que ele surgiu, só existia o “nós”. Não tinha um plano sequer que eu fizesse e ele não estivesse incluso. Não importava se era para o fim de semana ou para a vida inteira.

Quando ele resolveu ir, fiquei assustada. Minha própria companhia me causou terror. Sem ele eu iria me acabar aos poucos. Não encontrava coragem para me olhar no espelho. Fui minha própria inimiga. Lia por aí que amor próprio era tudo que precisávamos. Mas essas coisas são tão lindas na teoria, não é? Na prática é um filme de terror daqueles que nos fazem ter pesadelos durante dias. Estar completamente sozinha foi uma das minhas piores experiências, mas que me trouxe as melhores lições.

O tempo passou e toda aquela história bonita do amor próprio, que eu achava uma tremenda história para boi dormir, tornou-se a coisa mais real em minha vida.

“O tempo é mercúrio cromo”, já diz a letra da canção. E eu aprendi isso na pele. Não sei bem como tudo acontece, mas dói tanto(tanto!), que parece que a vida quer recompensar tamanho sofrimento e produz com o tempo um remédio que ninguém vê, mas sente na pele. De repente passei a me olhar no espelho com mais entusiasmo e coragem. De repente comecei a agradecer pelo fim que me destruiu. Mas só me destruiu para que eu me refizesse ainda melhor. Mais forte. E mais madura. De repente passei a agradecer pela ida de quem não queria mesmo ficar.

Não sinto vergonha. Ou arrependimento. Hoje eu só consigo sentir coragem. Coragem de enfrentar o mundo lá fora. Coragem de ser feliz. Coragem de lutar. Hoje eu percebo que eu sou demais e estar em minha própria companhia é um baita privilégio e depois que a gente entende que se basta, não aceita que ninguém chegue dando um basta em tudo de bom que carregamos.

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Ana Luiza Santana

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