Hoje mais cedo, à caminho do curso, encontrei uma senhorinha sentada no banco de uma pracinha, ela observava concentradíssima à dois passarinhos que pareciam estar coletando gravetos. Fiquei curiosa e um tanto intrigada com aquela senhorinha, e como ainda faltava meia hora para iniciar o curso, resolvi me sentar na pracinha também. Eu à analisava, enquanto ela parecia se alegrar com cada gravetinho que eles encontravam, até que de repente, aqueles olhos que pareciam mais duas jabuticabas, me encararam, e antes que eu pudesse disfarçar, a senhorinha que ali estava a me olhar soltou um sorriso meio banguela, mas ainda assim muito iluminado. Me chamou dando palmadinhas no banco, eu, um tanto que sem reação, me levantei rapidamente e me dirigi até ela, quando me sentava, ela fez um sinal me pedindo para ficar em silêncio.

Observamos por alguns instantes.

Logo ela me disse algo como: “Eu gosto de levar meu corpo para passear, mas nada me fascina mais que ver minha memória atuando”. Tentei encontrar sentido no que ela disse, mas acabei perdendo o fio da meada, quando ela interrompeu meus pensamentos com uma história. Me contara sobre quando ainda era jovem, disse que havia um rapaz na cidade, que era muito cobiçado por todas as mulheres, mas que nenhuma delas conseguia te-lo. Perguntei a ela se sabia o motivo de tanto mistério nele, e ela me disse com os olhos brilhando: “Ele amava a ideia de ter uma mulher ao lado dele, porém amava mais ainda a sua liberdade”.

Fiquei olhando seu semblante enquanto ela carinhosamente se recordava do seu passado. Logo, ela se virou para mim e me perguntou: “Ei jovem, você sabe o que é o amor?”. Eu, meio sem jeito para falar, tentei, em poucas palavras, resumir o que presumo ser amor, mas percebi que me faltaram palavras para definir. Eu perdi totalmente o conceito do que é amor nos dias de hoje. Disse a ela que não havia conhecido-o ainda. Ela então pôs suas mãos enrugadinhas no meu rosto, me olhou com aqueles olhos de jabuticabas e disse: “Meu bem, o amor não é algo que se conheça, é algo que se reconheça dentro de si, o amor não está fora, em alguém, está em como você se expressa pela vida, ou por alguém. E esse alguém pode ser você mesma”.

Ela olhou novamente para os passarinhos e disse entre sorrisos espontâneos: “Ele me ensinou a amar momentos, viver intensamente cada um deles, pois todos são únicos e nós nunca saberemos quando os ventos irão soprar contra nós e nos levar a se distanciar um do outro.”
Eu olhei a ela e perguntei curiosa: E vocês ficaram juntos?. Ela apontou para o céu e disse: “Algumas conexões não podem ser desfeitas. Nem a distância, nem o tempo, nenhum erro desata esse laço.”

 
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