Era uma noite de sábado, a lua estava bonita e o clima agradável. Qualquer pessoa em sã consciência não ficaria em casa e mesmo não estando inclusa neste grupo de pessoas, lá fui eu. Com o celular na mão chamei minhas amigas. Uma por uma e no fim todas juntas tentando decidir para onde ir. No meio da ‘’discussão’’ minha voz se sobrepôs dizendo as seguintes palavras:

– Eu quero dançar, beber e zoar!

Foi nítida a forma como todas me olharam. A surpresa era aceitável e elas não perderam tempo e em um piscar de olhos eu estava dentro de uma das festas mais agitadas que já vi. Todo mundo pulando, gente se beijando, minhas amigas me puxaram e me juntei na bagunça de luzes até sentir a música dentro de mim. Minhas mãos se perderam no alto e por um momento me senti realmente feliz. Nada podia me tirar a sensação de ser livre, de novamente estar livre.

Deixei a agitação e fui buscar uma bebida. Ah, como aquilo era bom! O álcool entrava ardendo no meu organismo e ia direto para o coração, era como um remédio e enquanto eu bebia você saia de mim. Era maravilhoso poder viver, poder te esquecer aos poucos…

Até a quinta dose…

Não sei bem se era a quinta, talvez a décima, enfim. Depois de algumas doses voltei a ser eu mesma e de uma forma muito pior. O pouco de você que havia ido embora no primeiro copo veio em dobro em todos os seguintes. A cada gole uma memória, a cada memória um gole e o ciclo sem fim me fez perder as contas de quantas pessoas eu parei na pista procurando o teu semblante, de quantos rostos eu virei para ter certeza de que não era o teu, de quantas lagrimas derramei procurando uma saída ou apenas mais um banco onde eu pudesse me sentar para pelo menos lembrar de ti sem vagar por um salão cheio de pessoas vazias que não eram você, que não tinham o teu cheiro, que não podiam salvar. Mas eu não te encontrava e muito menos conseguia disfarçar a dor que me tomava. Minha cabeça girava e meu coração se debatia dentro do peito como alguém que clama por socorro. Eu precisava do teu calor mais do que nunca, precisava do teu sorriso para me ensinar a sorrir, eu precisava de ti novamente ao meu lado para de uma forma simples, tudo voltar a fazer sentido.

É que a partir dali tudo me lembrava o teu rosto. Minha noite de diversão se tornou só mais uma madrugada atrás dos teus olhos azuis tão belos, só mais um momento de saudade, dor e sofrimento sem teu colo ali. Sem você para me levantar, sem teu abraço para me curar, só mais uma dose para te amar.

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Nathaly Bonato

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