Eles pensam que sabem o que é saudade. Sabe aqueles que ficam um dia sem ver um ao outro e já entram em uma depressão de independência corporal, seja familiar ou por simples sexo? Eles não sabem o que é o tal do “miss you”. Parei de contar há quanto tempo eu não te vejo, o calendário já não faz o menor sentido.  A única coisa que eu conto, é quando deito minha cabeça no travesseiro e finjo que te conto as novidades.

Meu querido, eu não sei exatamente onde você está,  já que todos os religiosos do mundo discutem diversas teorias de onde as pessoas vão. Mas eu sei que você está aí, olhando e escutando todos os meus devaneios de cronista, palmeirense, direitista e sofredor. Se Deus for realmente um cara esperto, ele te adianta o processo de ressureição e te coloca de volta nesse mundo que tanto precisa de você.

Temos muito em comum. Você torce pro Internacional, eu sou Palmeiras, você é fumante e eu odeio cigarro, você ama Charlie Brown Júnior, eu prefiro as melancolias da Banda Fresno, tem estilo, eu não sei nem fechar os botões da calça direito. Mas tirando isso somos exatamente apaixonados pela nossa família.

A saudade caro, bate, machuca, contorce e retorce. Parece que consta na minha lembrança todas as vezes que eu esqueci de dizer eu te amo. Mas sabe como é, você machão convicto, eu sensível e movido as crônicas, a expressão de sentimentos eram deixadas de lado. Mas todas as suas maneiras carinhosas de cuidar de mim desde minha infância, me marcam como aquela sua tatuagem barata que não sai nem com sabão de coco.

Tio, esse é daqueles textos que não vende, ninguém entende quando a saudade é individualizada. O caboclo pode tentar catalogar quantas espécies desse sentimento existem e vai morrer tentando.

Não consigo entender o que leva algum ser humano fazer o que fizeram com você. Te levaram de minha vó, mãe, primas, vô, tios, ex-esposa e seus milhares de amigos. Na verdade você ainda está aqui, naquela poesia bruta, nas orações do dia e naquelas incontáveis vezes que eu lembro de dizer toda noite que te amo, quando vejo seu sorriso do alto do céu.

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Dinho de Oliveira

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