Sempre fui o tipo de pessoa que achava que o amor podia estar em qualquer esquina, sempre fui o tipo que acreditava que a paixão era algo natural e que simplesmente acontecia, não era uma coisa a qual devêssemos procurar, também acreditei que era possível ter mais de um amor na vida, que tudo era uma combinação de sentimento, escolha e destino. Hoje as experiências me fazem acreditar ainda mais nisso.

Foi com 14 anos que eu senti meu coração vibrar pela primeira vez. Era um amigo bem próximo, do tipo que eu contava tudo e com ele ri muitas vezes. Ele era mais velho, já tinha repetido a série 2x e eu era a CDF da turma, era a amizade do bagunceiro com a menina certinha, mas em algum momento eu confundi as coisas e precisei me afastar.

Na segunda vez, eu havia acabado de passar por um momento difícil e estava me superando, mais uma vez foi um amigo com quem tive o prazer de cruzar e ele me ajudou a me enxergar melhor, com um olhar menos exigente. Lembro dele acariciar meu rosto e dizer o quanto era bonita, foi difícil não começar a sentir o coração parar cada vez que ele repetia o gesto e foi assim que ele acabou na porta de casa, depois de me dar uma carona, e me fez perceber que havia ali algo mais que apenas amizade.

Na terceira vez, eu estava em outra cidade, já havia me adaptado a mudança e aproveitava cada oportunidade que aquele lugar podia me reservar. Foi em uma das aventuras as quais me joguei que ele apareceu e foi o único que não era amigo. Na verdade, nós nos conhecemos e a conexão foi imediata, a medida que cresceu o amor, cresceu junto a amizade, confiança e cumplicidade.

Foram quase 10 anos de aprendizado no que parece ser um campo minado. No meio dessa caminhada, em alguns momentos cheguei a me entregar a braços mais estranhos.

O sabor era diferente e não me alimentava, o abraço era inseguro, a risada era momentânea. Tudo me soava um tanto falso. Assim que a sobriedade me vinha, tudo aquilo perdia o valor. Foi assim que acumulei momentos, histórias e hiatos.

De experiência por experiência, a gente sempre aprende. Não posso reclamar, foi assim que fiz muitas amizades também. Fiquei amiga do amigo do amigo… Brindei por todo e qualquer motivo e ri das incertezas, dos problemas e dos desencontros.

De amores sóbrios e paixões rasas, experimentei tudo aquilo com total entrega, segui sempre o que sentia e nunca disse um “não” querendo dizer “sim”. Hoje percebo que não perdi nada, que não me arrependi de qualquer coisa que tenha feito, mas hoje também percebi que quero deixar tudo isso para trás.

Indisponível. O coração pediu agora um pouco mais de si e muito menos de qualquer outro. Amanhã eu posso até esbarrar com o amor, posso até sentir o coração vibrar de novo, posso querer compartilhar um momento, o caminho ou apenas algumas carícias, mas hoje não, hoje tudo isso vai ter que esperar.

Hoje eu entendi a premissa de que a solidão pode ser uma escolha, que estar só ainda pode ser sinônimo de estar muito bem acompanhado porque a nossa própria companhia ainda é a melhor naquele momento.

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Thamires Alves

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