Demorei a entender. Demorei a compreender que existem várias formas de amor e que ele me amava, mas de outro jeito. Me amava, mas não da forma que eu esperava e merecia. E sabendo disso, ele partiu.

Queria gastar algumas linhas lhes contando sobre como foi mágico conhecê-lo, sobre como eu acabei conseguindo a vaga no estágio que ele daria instrução apenas um dia antes do evento. Foi isso que bastou para eu vê-lo se apresentar na minha frente, foi o que bastou para eu cruzar com seu caminho algumas vezes e reconhecer ele embaraçosamente, foi o que bastou para eu acabar em um encontro, um mês depois, onde nós dois parecíamos nos conhecer bem demais em apenas uma noite com alguns sorrisos e palavras trocadas.

Ainda me lembro dele me falar dos desencontros, naquela altura eu não acreditava mais que isso pudesse acontecer porque o destino tinha feito a gente se encontrar e só por isso o mundo já me fazia mais sentido.

Saí dali implorando para meu coração não se apaixonar. Tarde demais. Ele já pulsava mais forte só de ouvir o nome dele e eu demorei a entender e confessar a mim mesma isso.

Tudo o que aconteceu depois foi novo. Era uma brincadeira de gato e rato que explorava a cozinha, o banheiro e até mesmo o quarto de estranhos. Era a desafiadora tarefa de conter os impulsos em situações formais quando nossos corpos só queriam estar juntos. Era olhar para meu pai ao lado e para ele na minha frente e corar com o que me passava a cabeça, louca para que pudéssemos sair. Era chegar no carro e dividir a vontade de ir para cama, sem qualquer cerimônia, e tropeçar no desejo pelo corredor, para acabar arfando e sorrindo um para outro entre confidências.

Foi no meio disso que percebi que me amava, se preocupava e me protegia. Quanto mais difíceis as despedidas, maiores as promessas. Eu transbordava a saudade a cada volta tua, mas nossas fases, tão diferentes, nos separaram inevitavelmente.

Ele nunca pediu para eu escolher entre ele e o que eu merecia. Ele me amava demais para isso. Partiu deixando meu caminho livre para tudo o que eu sonhava. Partiu e me deixou partida também, mas partiu sabendo que eu podia ser inteira para alguém que pudesse ficar. Partiu para seguir o próprio caminho e para me ensinar a seguir o meu. Partiu levando um pouco de mim e deixando em mim um pouco de nós.

Saint-Exupéry talvez entenda melhor sobre a rosa que ficou e o soldado que partiu, talvez ele saiba sobre a redoma, as largatas e o planeta B612. Eu só entendo que ele me amou e partiu. Eu só sei sobre ter ficado e de agora estar inteira para entender que o amor nem sempre é suficiente para que alguém fique.

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Thamires Alves

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