Convivemos, trocamos palavras, histórias, gargalhadas e abraços. Rotina. Dividimos porres e momentos de tensão. Felicidades e tristezas. Indiretamente, dividimos momentos. Estávamos ali um com o outro, em meio a um círculo enorme de amigos, e vivemos inúmeras coisas juntas.

Até que nossos olhares se encontraram, e travaram.

Nossos olhos se olharam em meio a confusão de um bar lotado, nossos olhos se cruzaram e o tempo parou por uns segundos. Nossos olhos se enxergaram, diretamente, pela primeira vez e eu ouso dizer que se apaixonaram naquele mesmo instante. Como, nesse tempo, nunca sequer trocamos olhares? Nos acostumamos com a amizade e pensar algo além disso seria loucura. Até agora…

Nossos olhares ainda estão presos, travados um no outro.

Eu disfarço e puxo um papo com a amiga do lado e você, no susto, faz o mesmo, olhando para todos os lados reparando se alguém notou o acontecido. Ninguém notou, só nós… e os nossos olhos. Eu me perco em meio ao sentimento que brotou naquele momento e ao bar lotado, e quando me encontro novamente te vejo na minha frente sorrindo e me tirando para dançar. Como eu nunca havia prestado atenção no seu sorriso?

Nossos olhos fixos um no outro parecem ter brilho o suficiente para iluminar o local.

Cervejas e mais cervejas na cabeça nos impedem de sequer comentar algo sobre o acontecido. E se for só mais uma invenção da minha cabeça de bêbada? Penso eu, em meio àquela dança. A festa termina, um abraço de tchau e só. No outro dia sequer lembrava de como cheguei em casa, quem diria do quanto nossos olhos se encantaram.

Até que, ao andar entre as ruas ensolaradas da nossa cidade, o meu olhar tropeça novamente no seu.

Nossos olhares se travaram, mais uma vez. Como um súbito, lembro de todos os acontecimentos daquela noite e tenho a impressão de que você também acaba de lembrar. Nossos olhos se cruzam, em meio a correria do dia, mas descobrem a enorme vontade de permanecerem sempre ali: abrigados naquele olhar tão reluzente.

Sigo a minha rotina, como você segue a sua. Por um motivo que desconheço, não iremos nos procurar. Iremos apenas esperar a próxima vez em que nossos olhos irão se esbarrar. A verdade é que nossos olhares se entrelaçaram e não querem se largar mais. Ao menos não até poderem se olhar plenamente, sem qualquer medo ou receio. Assim, mesmo, como imaginamos, bem de pertinho. Olho no olho, nariz com nariz, lábios que se tocam lentamente. Será que é pedir demais?

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Participe da conversa! 1 comentário

  1. Depois de ler, agora tenho a certeza de que vou ter o melhor sono💖

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Victória Martins

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