Foi uma noite linda ao lado dela. Nós tomamos duas ou três cervejas, somente, enquanto boas histórias e bons conselhos surgiam em meio a um agradável papo.

O tempo nem parecia que existia. Quando lembro daquelas quatro horas que ficamos dentro daquele barzinho, não consigo lembrar do gosto da cerveja. Nem da música que saia do violão. Nem se o cantor era um bom cantor. Não consigo lembrar da conta ou se o local estava cheio. Se algum conhecido chegou, não vi.

Só consigo lembrar do sorriso dela nas piadas bobas que contei entre uma história e outra. Consigo, perfeitamente, enxergar em minhas lembranças o brilho do seu olhar, ao se empolgar nos fatos e detalhes de um acontecimento importante da sua vida.

O som da sua voz me visita todas as noites. Junto ao cheiro do perfume que ficou em minha camisa após o abraço da chegada e, muito mais, após o abraço demorado da partida.

Não aconteceu nem o beijo na bochecha. Não fui capaz de estragar aquele encantamento com pressões de regras clichês de um primeiro encontro. Deixei fluir e caminhar do jeito que devia ser. E foi.

Não sei se ela retribuiria um investimento meu, de algo a mais do que já tínhamos tido até ali. Intimidade sobre vida, sentimentos e escolhas. Talvez, alguns segredos. Contei uns dois para ela, bem pessoais. Acredito ter ouvido algum também.

No final da noite, na porta do bar, cada um seguiu o seu caminho e foi em direção a uma vida que continuaria no lugar. Sem aquela obrigatoriedade de ligar no dia seguinte, sem apresentações formais as famílias e amigos. Sem a atualização de status nas redes sociais.

Ela foi mais uma boa pessoa que cruzou no meu caminho de forma espontânea.  Por pouco, não me rendia ao seu coração.

Acho que não estou preparado pra investir na seriedade de uma relação. Talvez, se não houvesse muito encantamento e muita empatia, aquele encontro poderia ter acontecido mais vezes.

É mais honesto a gente romper uma ligação que a gente não sente vontade de fortalecer, do que deixar entrar um amor e trata-lo de qualquer jeito. Por isso, todas as vezes que o amor bater em minha porta, eu vou pular a janela ou fingir que não tem ninguém.

No dia em que eu estiver certo que farei alguém feliz, abro a porta, mando ficar à vontade, ofereço um copo d’água e sento disposto a conversar. Uma vida inteira, se for o caso.

 

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Edgard Abbehusen

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