Me desculpe, eu não queria mais te incomodar ou escrever sobre você. Mas é que eu te vi pela janela do carro e, bem, me lembrei um pouco. Vi teu sorriso ali, em frente a tua faculdade, com teus amigos de sempre e me lembrei. De quando aquele sorriso era ao meu lado, depois de algumas piadas bobas e sem graça, na tentativa de quebrar aquele silêncio constrangedor típico. 

Me desculpa, eu já havia esquecido. Mas eu te vi pela janela do carro e eu não queria ter visto. Porque eu jurei pra mim mesma que aquela vez, você sabe, aquela vez, teria sido a última vez em que eu te veria em toda a minha vida. Mas não foi. E eu não tava preparada. E você nem me viu.

Eu já nem te amava mais, eu acho. Seu sorriso já não era mais meu preferido e eu nem lembrava mais das suas covinhas. Tinha me esquecido daquele dia 18 de abril e do último beijo, sem sabor de último porque eu nem sabia que seria. Do último abraço. Da última palavra. Até breve. Não foi breve. Três anos depois, te vi de novo. E foi pela janela do carro. De longe. 

E foi de longe que eu percebi, você continua o mesmo. O mesmo menino, o mesmo rosto bobo, o mesmo sorriso tímido, o mesmo cabelo bagunçado. Se um dia eu te dissesse, naquela época, que tudo iria a acabar assim, você acreditaria? Eu não. Essas palavras jamais sairiam da minha boca, jamais passariam pela minha cabeça. Nós não fomos feitos pra acabar, eu pensava. Nós não somos um casal normal, eu acreditava. Acabou que fomos.

Te vi e queria ver de novo. Abrir a janela e te dar um “oi”, talvez. Não sei. Queria que você também se lembrasse de mim.

Te vi e queria ter te gritado. Queria ter perguntado se você tava indo pra casa, porque eu ainda me lembro o caminho. Queria te chamar pra uma carona, colocar uma música que te lembrasse de tudo. When love takes over, cê lembra?

Te vi e quis fugir. De tudo, sabe? Principalmente de você. Demorei tanto pra te esquecer, mas o destino fez questão de lembrar. Te vi e foi bom. Porque percebi que já não ligo mais. Sentimentos bons, ruins, nada. Já não sinto nada. Os sentimentos se anularam, sabe? Que nem naquele dia em que você me ensinou vetores para a prova de física. O negativo anulou o positivo. E agora o que resta é o equilíbrio. O equilíbrio de tudo o que a gente viveu, o aprendizado. E nada mais.

Amor bom é amor que não gera ódio, mágoas ou raiva. Aliás, do amor não se gera nada negativo.

Vê se aprende.

Até a próxima vez.

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Bruna Frotté

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