É na solitude em que nos encontramos…

Amar-se e gostar de estar consigo é o primeiro passo para ser feliz. É tão simples como a matemática que nos mostra que dois e dois, são quatro. É a equação da própria aceitação, para que depois, seja possível somar-se aos outros.

Muitas pessoas têm verdadeiro temor de estar momentaneamente sozinhas. É como se o silêncio fosse perturbador. Ignoram que existe uma diferença gritante entre solitude e solidão. Telma Nogueira explica perfeitamente tal discrepância ao definir que: “Solitude é a capacidade de se amar ao ponto de estar sozinho e mesmo assim, se sentir inteiro e feliz. Sem a obrigatoriedade de procurar complementos e naturalmente ser preenchido de uma paz absoluta”.

Quando gostamos de estar em nossa própria companhia, nos entregamos por completo na busca de quem somos de verdade. E tal introspecção, torna-se necessária e prazerosa. Quem não se ama e não se considera merecedor das bênçãos da vida, se sabota, passo a passo, gradativamente. Melhorar a cada dia, jamais esquecer de onde viemos, pensar sempre positivamente para onde queremos ir. Respeitar a si e ao próximo. Isso se chama positividade. Isso é o que todos esperamos para nós e para os nossos.

Nada como o silêncio ouvido quando se está sozinho, quebrado pela melodia que embala nossos devaneios e diz um pouco daquilo que somos. Não adianta tentarmos abraçar o mundo, se nossos braços não são capazes de nos envolver em aceitação. Buscar amor no outro é em vão quando amarmo-nos parece absurdo.

Amar ao outro é um movimento de dentro para fora. Para que seja oferecido o que temos de melhor, nosso interior deve estar bem cuidado. Não podemos dar aquilo que não temos, ou seja, amor. E para que estejamos inteiros, precisamos passar momentos a sós, dialogarmos com nossas fraquezas para que a nossa força pessoal seja recarregada. Clarice Lispector explica a necessidade que estejamos bem conosco para que possamos entrar de cabeça em qualquer relação: “Eu antes tinha querido ser os outros para conhecer o que não era eu. Entendi então que eu já tinha sido os outros e isso era fácil. Minha experiência maior seria ser o outro dos outros: e o outro dos outros era eu”.

É na solidão que percebemos que a nossa paz espiritual só pode ser encontrada dentro de nós mesmos. Quando temos esta consciência, somos acalentados pela certeza que somente duas pessoas inteiras conseguem se amar e se relacionar de forma saudável. Afinal, estar bem consigo, é estar preparado para lidar com o caos de estar em meio a tantos outros, incompletos e descontentes. E, mesmo assim, estar feliz, pois se o que restar for solidão, será transformada sem problema algum em solitude.

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