Acho que a ficha só foi cair realmente quando você bateu a porta. 
 
Eu, apenas com uma mochila nas costas, me vi sem chão. Sem apoio. Sem rumo. E então todo um filme me passou pela cabeça. 
 
Como deixamos tudo isso acontecer?
 
Como transformamos todo aquele amor em uma relaçãozinha fajuta?
 
Como perdemos nossa intimidade de carícias?
 
Muitas perguntas. Nenhuma resposta. 
 
Éramos felizes. Cumplicidade era algo que nunca nos faltou. Você adorava me contar o seu dia, e eu  a ouvia com toda atenção. Nada forçado, era puro interesse em saber tudo sobre você. Até os mínimos detalhes. E havia reciprocidade. 
 
Em qual parte do caminho deixamos de nos interessar pela vida do outro? 
 
Nossos gostos são incrivelmente parecidos. Pearl Jam, Engenheiros do Hawaii, Tarantino, Bukowski, Alan Poe, estrogonofe. Cerveja importada, praia no verão, serra no inverno. 
 
Fazíamos das coisas simples o pilar da relação. 
 
Por que tudo isso foi deixado pra trás?
 
Foram incontáveis vitórias contra esses obstáculos da vida. Trabalho, faculdade, provas, cursos nos finais de semana. Sempre que nossos horários nos desafiavam, dávamos um jeito de driblá-los e vencermos. Ainda que fosse um encontrozinho de dez minutos, já teria um valor enorme pra nós dois. 
 
Tempo resumia-se à eternidade quando repousávamos no peito do outro. 
 
Onde foi que abandonamos toda essa cumplicidade?
 
Amigos chegados a uma boa cerveja eu tenho aos montes, mas você sempre foi minha melhor parceira de copo. Não havia frescuras. Fosse em um bom pub ou em qualquer boteco de esquina. Voltávamos pra casa abraçados, depois um bom banho e o merecido descanso. 
 
E todos aqueles planos para o futuro? Já havíamos pensado em dois ou três amigos para serem nossos padrinhos. Recorda? Eu me simpatizo com uma cerimônia na praia. Você não abria mão da igreja. Gato ou cachorro? Casa ou apartamento?
 
Todas essas expectativas foram vividas ao teu lado. 
 
E agora, ao ouvir o barulho da chave trancando a porta, tudo isso se transforma em dolorosas lembranças. 
 
Nos perdemos pelo meio do caminho. Havia toda uma mistura de sentimentos em nossos olhos marejados.

Será que daqui a algum tempo encontraremos as respostas?

Será que um dia conversaremos sobre tudo isso?

Será que quando as emoções estagnarem, conseguiremos entender nossos palavrões e nossas frases impensadas?

Ao bater o portão do seu prédio, torci pra que você estivesse me olhando pela janela. Não virei pra trás. Mas torci.  
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Brunno Leal

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