Já juntei todas as nossas lembranças, embalei em papel pardo e guardei em uma caixa. Tudo de maneira segura para se, um dia no futuro, você voltar, eu possa desembalar apenas as coisas boas que tivemos. Eu não vou falar muito do passado, não quero que ele atrapalhe o nosso futuro, mas será que haverá um “nós” no futuro? Eu não sei porque você me deixou partir, mas também não sei se teria ficado se você tivesse pedido. Era uma necessidade ir sem olhar para trás, já não estava mais tão feliz como antes e a culpa não é sua, nem minha. Na verdade, não existe culpa.

As coisas simplesmente foram acontecendo. A gente estava lá, vivendo, dia após dia. Emaranhando o sentir na rotina e permitindo escapar os detalhes. Eu encontrei esses detalhes bobos — e tão nossos — dia desses e sorri, sem entender como foi que a gente permitiu perder cada pedacinho deles. Talvez tenha sido isso que me levou a ir embora. Uma urgência de descobrir quem eu era e onde estávamos, eu e você. De uma maneira estranha a gente tinha se perdido, vê? Agora achei parte de nós e enrolei nesse papel pardo amassado, sentindo saudade tua, sentindo saudade da gente.

A minha maior vontade agora é de te ligar, te perguntar se você lembra daquele dia 14 de agosto de 2011, o dia em que, ainda como amigos, fomos juntos assistir a um show de música instrumental. Eu sem paciência nenhuma, afinal tinha meia dúzia de gatos pingados no lugar, e você todo animado, porque assim a gente conseguia conversar melhor, se conhecer melhor. Naquele dia eu não sabia que o show era apenas uma desculpa. Você disse que gostava da banda, mas na verdade nunca tinha ouvido falar dela, apenas me chamou para o primeiro evento que apareceu. Ainda guardo os tickets daquele show, e isso me faz lembrar de você e imaginar o que você está fazendo agora aí, sem mim.

Meu lado egoísta gosta de pensar que você não está tão bem. Meu lado egoísta gosta de acreditar que você pensa na gente, tanto quanto eu penso em nós dois. Meu lado mais egoísta e cheio de esperança, gosta de imaginar você voltando, com uns tickets para outro show falido, sem presença alguma. Só eu e você, uma música desconhecida, o futuro à nossa frente e o muito por dizer. Eu sonho de olhos abertos com isso… A gente ali, no meio do nada, sentindo tudo. Pensando nas palavras e conversando só entre olhares.
Queria te ouvir dizer, num sorriso, que lembra daquele catorze de agosto. Queria te ouvir dizer, num suspiro, que sentia minha falta. E queria poder te dizer, num beijo, que sinto tua falta também. Que, quem sabe, haja futuro pra nós dois. Que, talvez, eu tenha me arrependido de ter ido, ou que você não deveria ter me deixado partir.

Suspiro. Apenas fecho a caixa, mesmo com o papel amassado, e a guardo com carinho. Quem sabe um dia não volte a abri-la ao seu lado.

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Mafê Probst, Tamara Pinho

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