Ele tinha cheiro de paz. Quando estávamos juntos, nada mais importava. O mundo lá fora não era mais mundo. Porque estar ali, com ele, era o que bastava. Ali era o meu mundo. Ele era o meu lar. O calor dos seus braços era a minha segurança. Era ele quem eu queria, era ele quem me importava. Só.
Tínhamos tudo para dar certo. Nossos planos não morriam e nossa vontade não cessava. Éramos melhores amigos, companheiros, cúmplices. Ele sabia pelo tom da minha voz quando algo não estava bem. E eu lia no seu olhar quando algo estava errado. Nos conhecíamos dos pés à cabeça. Mesmo no silêncio a gente conseguia estabelecer um contato. Porque nossas energias sempre se abraçavam.
Mas algo, em algum momento, desandou. Não sei bem o quê. Não sei bem por qual motivo. Aos poucos, nós passamos a parecer meros conhecidos. Depois, nem isso. Nos desconhecemos. Não conseguia mais ver a pessoa que tanto amei, ali. E ele, pelo jeito, sentia o mesmo. Ninguém errou. Ninguém vacilou. Ninguém magoou diretamente o outro. Nada visível aconteceu. Mas nossos encontros não tinham mais a mesma vitalidade. Nossos corpos não sentiam mais o mesmo tesão. Nós não éramos mais nós.
E, assim, sem entender muito bem o que estava acontecendo, resolvemos colocar um ponto final. Ou uma vírgula. Ou encerramos um parágrafo e demos um tempo para começar a escrever o seguinte. Conversamos, tentamos encontrar motivos. Mas tudo foi em vão. Talvez estivéssemos em momentos diferentes. Talvez a convivência tenha virado comodidade. Talvez o amor tenha esfriado. Hipóteses… somente hipóteses. Mas se continuássemos daquela forma, estragaria de uma vez por todas a história que construímos. E seguimos separados. E continuamos separados.
Mas eu sei, algo ainda nos liga. O amor pode ter esfriado, mas não acabou. Talvez a vida tenha nos afastado com a intenção de nos preparar, de uma melhor forma, para um reencontro. Para um momento ainda melhor. No fundo, eu sei, estamos esperando por isso. Estamos nos esperando. Eu penso nele todas as noites, mas sei que ainda não é o momento de procurá-lo. Enquanto isso, vou arrumando a bagunça por aqui para quando ele voltar tudo estar arrumado. Porque eu sei, vamos nos reencontrar. Mais fortes, maduros e preparados. Para ser tudo lindo novamente. Como sempre foi. Como sempre será…

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Ana Luiza Santana

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