Um beijo bom e o momento errado, foi isso que bastou para o início dessa amizade. Disseram: moderninha você! Mas não. Era uma questão de timing. Nem eu, nem ele estávamos em um momento bom para ter um verdadeiro romance.

Mas o papo era bom, o beijo era bom, a companhia era boa, nossos corpos juntos eram bons, a química então…

Hoje ele conhece tanto o meu corpo como eu mesma. Hoje ele conhece tanto de mim que talvez nem eu mesma saiba e eu pareço conhecê-lo da vida inteira. Sabemos que não damos certo se nos prendermos, mas sabemos voltar pros braços um do outro quando queremos algo mais aconchegante, menos frio, mas sem querer mais.

Não temos declarações de amor no facebook, nos declaramos pessoalmente. Não cobramos curtidas e comentários em fotos, não damos chiliques de ciúmes e nem ficamos nos bisbilhotando, mas nos importamos um com outro, sabemos sobre o que queremos compartilhar.

Ele tem o tipo de colo para o qual eu corro para pedir conselhos, para me indicar um caminho e para ver Netflix comendo brigadeiro quando o dia não foi tão legal. Ele vem para mim quando quer falar do problema no trabalho, do quanto está feliz com o projeto novo ou quando quer dividir uma garrafa de whisky que ganhou do cliente.

Ele é toda a experiência e eu tenho aquela inocência bonita de quem está começando a se aventurar e descobrir as coisas.

Alguns contestam: ele tem tudo de você e não assume a relação? Logo, logo assumirá com outra. Você não é prioridade, está sendo fácil demais.

Ah, se eles entendessem mais de amor e amizade, se entendessem de cumplicidade, se soubessem como é bom ter alguém de quem nada se espera, que lhe faz bem e só. Mas não entendem.

O mal do amor às vezes é essa ânsia em querer prender. Confesso, já fiz parte desse grupo que não entendia. Já chorei tanto por quem eu amava e vi partir, já parti com lágrimas nos olhos também. Quis prender quem queria voar, quis ser ninho quando eu mesma não sabia me aconchegar só…

Uma vida de mudanças talvez nos faça perceber rapidamente que o pranto acaba logo e dá lugar a novos risos. A gente acha que é para sempre até que acaba, e quando acaba parece que nosso mundo também acabou. Então vemos que depois do ponto, tem mais coisa e se surpreende.

A principal lição da minha amizade colorida é a de ter encontrado uma boa companhia e não ter medo de ver ela partir, é a lição de aprender que tudo o que vivemos juntos é bom e que o depois não importa muito. É a lição de saber que ele colore alguns dos meus dias cinzas e só por isso já vale a pena. É a lição de olhar um para o outro e torcer pela felicidade, ter admiração e ainda saber que podemos dobrar a esquina e tomar caminhos diferentes e depois voltar, ou talvez não, mas saber que estivemos ali um para o outro quando foi necessário.

Quer amizade melhor do que essa? Esse não é o intuito de ter um amigo? Amizade é um tipo de amor. Alianças não tornam as coisas mais verdadeiras. Ter mais de um amor não significa que amamos menos e saber que não se está pronto para um relacionamento sério é respeitar os próprios momentos e sentimentos.

A gente está bem assim. O que os outros pensam não importa mais. Às vezes ficamos dias e meses sem nos falar, sabemos que o outro está bem. Às vezes bate uma saudade, trocamos mensagens carinhosas, corremos para debaixo do cobertor um do outro, dormimos juntos e tudo bem.

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Thamires Alves

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