Dias, meses, anos se passaram e ela jamais esqueceu dele. Sempre que o sol aponta no horizonte e ela abre os olhos para mais um dia, a imagem dele vem em mente. Um sorriso largo lhe dá “Bom dia” e logo desaparece. É como um ritual que não se pode abrir mão. É a estampa desse amor que lhe fornece a energia necessária para enfrentar mais uma batalha diária. A imagem não lhe visita no restante das horas, mas na manhã seguinte está lá, sorridente e cativante. A história ficou no passado, mas o amor ainda reside dentro do peito. Não dói, não machuca, nem aflige. Apenas rememora um tempo bonito.

Eles viveram o que muitos buscam durante uma vida inteira. Um amor do início ao fim. Fim? Amor de verdade morre? Eles dividiram sorrisos, noites quentes e muitas doses de vodca. Compartilharam medos, dúvidas e sorrisos bobos. Repartiram sonhos, planos e algumas tardes de preguiça. Trocaram beijos, angústias e deleite. Habitaram o mesmo paraíso e foram expulsos por morderem a mesma maça. Não foi só ela, não foi só ele, foram ambos. Não foi por falta de amor, nem ausência de companheirismo, menos ainda por omissão de sentimentos. Foi o mundo. O gigante que dá voltas e mais voltas e acaba por desencontrar almas que desejavam caminhar juntas. Eles se despediram e desejaram sorte um ao outro. A vida seguiu, o gigante deu mais algumas voltas e aqui estão eles. Diante um do outro mais uma vez.

A respiração falta para ele, que prende o ar e sente o coração parar. É um gelo na espinha, como eram as primeiras noites em que ela visitou sua casa.
A respiração sobra para ela, que tem tanto ar saindo de seus pulmões que parece que não vai dar conta de soprar tudo para fora de tão acelerado que está seu coração. É um calor no peito, como eram as primeiras noites em que ela adentrou na residência dele.
Adentrou na residência, no quarto, na cama, na história. Se aninhou nos seus braços, no seu corpo inteiro, na sua alma. Todas essas lembranças vem a tona quando depois de tanto tempo sem sequer trocarem olhares eles voltam a se ver frente a frente.
O vento pela rua assobia uma canção. Dentro dele é gelo que derrete. Dentro dela é fogo que consome. E a vontade de ambos é irracional e impulsiva. Se passam alguns segundos e ele abre os abraços para lhe agarrar. Ela se move como quem corre para mais um último beijo, que nunca acaba sendo o último. Eles se tocam, se abraçam e há um beijo tímido no rosto.

– Oi, tudo bem? – ela diz e ele rebate.
– Tudo bom? – ele responde atropelado.

Se soltam, trocam mais um olhar e cada um segue seu caminho. Ele solta o ar que havia prendido e fecha os olhos para não esquecer. Ela inspira o ar que havia perdido e deixa uma lágrima tímida escorrer.
Desejam no fundo mais uma chance de se verem por acaso na rua qualquer dia desses. Enquanto isso a vida segue, o gigante que é o mundo vai girando e numa volta dessas, quem sabe, eles voltam a se encontrar.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

CATEGORIA

Monika Jordão

Tags

, , , , , ,