Suponho os desencontros serem um jogo de azar. Uma fatal desconfiança do acaso.

Todo encontro que se preze, pede licença ao tempo. É uma tentativa de juntar o que não se vê com o que não se ouve. É a delicadeza de nos colocar tão perto e tão longe, no mesmo patamar.

Mas o desencontro pode ser mútuo. E a menos de um palmo de distância. Frente a frente.

Um desencontro combinado pode ferir mais que o esquecimento. Pode refletir em assombro, fingir não haver respostas quando as proporções já se tornaram incontroláveis. É querer que a vida seja babá, tome as rédeas da situação e aja pelos dois. Não dá. É apenas vida, e até faz milagre, mas não caridade.

Não conheço um sujeito que mergulhe descabidamente em um amor que tema perder. Vai usar de todos os artifícios possíveis: medir profundidade, temperatura e entender da maré. Apesar de calculista, tem toda a pressa do mundo. Arrisca sem medo a sedentária dúvida que insiste em morar em nós. Troca toda a certeza plácida e ociosa de um amor morno, por uma fagulha de amor inconsequente e encarado sem medo.

Ninguém morre de amor. No máximo, finge de morto. Em vão. Amor não se atrai por pena. Não é precoce. É faceiro e debochado, não se entrega de bandeja. Ambos precisam da iniciativa. Porque quem inicia corre o melhor de todos os riscos: o risco de nunca enxergar fim.

Mas não se trata de vergonha de ter medo ou medo de nunca se alcançar. É o desejo de continuar procurando quando um já encontrou o outro. É o esconderijo revelado, a frase decorada, o sorriso espontâneo, os olhos de leite, uma mão que esbarra na outra por “acidente”; são as risadas, os jardins, os resquícios, as migalhas, as nuvens, o “foi quase”, a tatuagem e o café. Um amontoado de pequenos sinais que nos indicam já estarmos absolutamente compreendidos. 


Temos medo de amar menos se estivermos juntos.

Dotados de coragem aqueles que se atiram em suas guerras amorosas. Mas não menos felizes os espectadores do seu próprio amor. Sei o que sentem quando não dizem nada, ou quando se olham e conversam pela íris. Papo de horas resumido num piscar de olhos. Apenas aguardam o inevitável, e o que pra alguns é considerado desleixo e preguiça, reflete-se em amor vivido em toda sua intensidade, e apenas aos olhos de quem realmente interessa.

Todo amor tem seu tempo e todo tempo reverte-se em amor. 

Amanhã ou quando for.

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Brunno Leal