Os dias cinzentos tem aquele cheiro de saudade, quando olho na janela e vejo a garoa fina e consigo ouvir o barulho do vento, sei que vai ser o dia que o desejo de sair não me acompanha então ficarei com meus pensamentos e com aquela caixa de recordações antigas, a bendita que escondo a sete chaves e que ainda não tive a coragem de desfazer-me, ela possui algo que ainda não fui capaz de esquecer.

Quando a caixa é aberta, acontece como se as lembranças recebessem os convite para sair, deitar lado a lado comigo na cama, dividindo o travesseiro, coberta e até a minha panela de brigadeiro, sempre acreditei que o chocolate fosse o melhor remédio para dias assim e depois que você partiu eu me tornei chocólatra assumida – logo eu, que nunca fui adepta de comer doces diariamente, devo assumir que após sua partida repentina, muita coisa em mim mudou.

São nesses dias cinzentos que o pensamento voa, o coração chora e a alma implora, eu que nunca fui apegada nesse lance de saudades, já sei de cor suas música preferidas, seu moletom surrado e o seu cheiro que insiste em me acompanhar por onde quer que eu vá – droga de lembranças que ou outra aparecem para esfregar na minha cara que por mais que eu insista em falar que está tudo ok, é mentira, pois nada está no lugar (nem minha cabeça e muito menos o coração).

Até hoje consigo me recordar da nossa última conversa, lembro absolutamente tudo, inclusive no momento que nossos tons não estavam mais calmos e que você gritava como se eu tivesse culpa de algo que até hoje não sei explicar e dizer, eu que nunca gostei de chorar no meio de uma discussão, estava sentada no meu canto do sofá chorando feito uma criança que tem seu doce roubado.

Colocação infeliz, mas era exatamente dessa forma que eu me sentia, como se estivessem roubando algo de mim e eu não tivesse armas para lutar, só observava você afoito recolhendo tudo que ainda restava seu pela minha casa, jogando tudo dentro da mala, com toda rapidez do mundo, como se tivesse algo para resolver, foi o tempo de você fechar a mala e sair aos berros:

– Estou partindo, isso para mim não basta!

Não tive tempo de responder, entender ou associar o que não estava te bastando, era como se o “amor”, desejo de caminhar juntos, construir algo e ir além não mais te completasse, como se manter os pés no chão fosse pedir muito para você. Depois daquela despedida sem nenhuma explicação os dias cinzentos ainda chegam com ponto de interrogação, talvez a bendita espera da explicação de o que não bastou.

Confesso que os dias cinzentos tem cheiro de despedida, a espera de algo que não sei se vai chegar ou pior não tendo a certeza se será capaz de ficar, ou de quando vai partir.

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Andressa Leal

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