O distraído é o que sempre irá reclamar, se faz sol ele quer a chuva, se chove ele quer o sol. Se o feriado cair na segunda ele irá questionar porque não é no próximo natal? Ele anda por aí, mas não sabe exatamente viver. Ele cria a sua rotina e tem medo de se perder. Fica com um puto “E SE” entalado em sua garganta, e se algo sair do cronograma, Deus que nos acuda, ele não irá aceitar que está errado. Ele é do tipo que jamais irá dar o braço a torcer.

Por medo de convidar sua vizinha para o baile que haverá lá no coreto da dona Joana, ele perderá a mulher de sua vida, que irá com Joaquim que nem é tão atencioso assim, mas pelo menos não teve medo de lhe convidar. E ele por medo de se frustrar, irá ficar sentado em seu sofá, assistindo novamente o Jô Soares, e imaginando onde passará suas férias no próximo verão.

Mas o medo de sair ao sol, lhe impede de mergulhar nas ondas azuis que o mar lhe dá. E ao ficar o tempo todo na sombra, também perderá Gabriela que desfila na areia da praia com total desprezo pelos machos de plantão, mas que foi seduzida pelo loro dos cabelos dele, mas ficou ressabiada por que afundou a areia de tanto que passou e nem ao menos bom dia ele lhe falou.

Um ano inteiro se passa, e várias oportunidades se vão.

– O problema está no mundo, só pode, sou o único a não ter alguém habitando em meu coração, resmunga ele novamente para Pitoco seu cachorro de estimação.

Ao ir a banca de jornal, carrancudo e solitário, se perde em sua leitura matinal, e nem vê que dona Clô o espera para lhe perguntar como foi o seu feriado de carnaval.

Oh homem de coração grande! Mas de olhos tão pequenos. Todos que o cercam lhe oferecem uma oportunidade de se enamorar. Mas ele é tão seguro em seu mundo, que morre de medo dais tais “tentativas” virem a falhar.

– E se eu telefonar e ela não atender? E se de meu poema ela sarro tirar? E se ela não gostar de bombons? E se eu pedir seu endereço e receber um não?

– Olha Joaquim sobre sua vida não posso coisa alguma lhe dizer, mas das certezas que trago da lida? Vou lhe confessar, e meu amigo igual a ti jamais eu quero ser.

Espero poder me perder na tranquilidade de um amor seguro sem medo de um tal de final. E que se ele vier e transformar minha vida em temporal, que eu aprenda a ser forte e que transforme as lágrimas em crescimento emocional. Espero chegar aos 90 com uma única certeza dentro do meu coração, lutei pelo que pude, e conquistei o que era para ser meu, dos nãos que pelo caminho recebi foram apenas os livramentos de Deus.

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Re Vieira

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