Sim, muita gente está falando da série “13 Reasons Why”. Eu não pretendia assistir, mas acabei vendo os dois primeiros episódios na casa de uma amiga e, não resisti, terminei de ver todos os episódios em casa.

Se eu indico? Não sei. Não sou psicóloga e não tenho qualquer conhecimento na área para palpitar, mas posso dizer sobre o que eu senti e, garanto, não foi nada legal. Parecia uma espécie de déjà vu, sabe?! Uma sensação de que você já viu/passou por tudo aquilo…
O suicídio, naturalmente, é algo que choca, não é, nem de longe, um assunto no qual gosto de tocar, mas sei que é necessário. Esse texto não é sobre isso. Aliás, não é apenas sobre isso.
Não estou aqui para dar spoilers ou indicar, mas para dizer que Hannah estava perdida e precisava de alguém que lhe desse um pouco de atenção e apoio. Existiram 13 motivos para o suicídio dela? Eu diria que apenas um: o sentimento que ela carregava dentro de si. Pouca gente entenderia o que é isso.
Sei que muitas pessoas se identificaram com um ou outro personagem, o ambiente de colégios pode ser nocivo. O bullying é nocivo, as vezes nós somos nocivos.
Então, eu quero falar que “13 Reasons Why” é sobre muito mais que um suicídio, é sobre atos nocivos, as vezes pequenos, quase inocentes, às vezes cruéis demais para serem assistidos, – imagine só se forem vividos – é sobre aquela maldade que vivenciamos diariamente e seus efeitos.
Para mim, existem três coisas simples que são capazes de evitar algo tão sério: amor, respeito e empatia. A gente adora falar disso, mas na pratica? Na prática eu vejo o contrário.
Não é atoa que os discursos de ódio e grupos radicais parecem se proliferar rapidamente por aí… A falta de sentimentos tão básicos resultam em preconceito e atos covardes colocados diariamente em nossos jornais. Eu sinto tanto por cada um deles, vocês não sentem?
Eu sinto como se fosse em mim porque faço aquele exercício simples de me colocar ali no lugar do travesti que morreu recebendo pauladas, no lugar dos negros que foram ignorados ou desrespeitados diariamente, eu me vejo na mulher que sofreu estupro e ainda ouviu alguém insinuar que era culpa da roupa ou do horário que ela saiu. Então, me lembro de quando as pessoas passavam pela minha mãe e perguntavam se ela era a minha babá ou do homem que comeu a minha amiga com os olhos enquanto ela passava, do amigo homossexual que recebeu xingamento na rua enquanto a gente andava junto… Pequenos atos nocivos, a ponta de um grande iceberg.
Desrespeito. Violência. Agressões. Omissões. Diariamente. Silenciosamente. As vítimas morrem lentamente até que a gente se espanta com o resultado. Tudo ali, interligado. Não matam um pedacinho de você cada vez que tu vês isso?
As pessoas se espantam com o resultado, mas nunca se atentam ao processo. “13 Reasons Why” te escancara um processo, te coloca ali na pele de Hannah e choca. As últimas cenas me arrancaram lágrimas de puro desespero. Assim como Clay, eu queria mudar algo que pudesse salvar e modificar aquele fim, você sente que seria capaz se apenas soubesse do que ela passava.
Você não precisa ver “13 Reasons Why” para conhecer a Hannah ou qualquer um daqueles personagens. Você convive com eles diariamente, é um deles e é testemunha de cada um desses atos altamente nocivos para os quais abaixamos a vista. A pergunta é: seremos capazes de falar menos de empatia, amor e respeito para colocá-los realmente em prática? Eu espero que sim, porque a Terra está cheia de Hannah’s e elas precisam que o mundo seja um lugar melhor.
Sobre o Efeito Wether: é como eu disse, eu não sou especialista, posso apenas lhe dizer sobre o que eu senti e, garanto, foi horrível.
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Thamires Alves

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