Eu nunca deixei de sonhar com intensidade.

Eu nunca deixei de acreditar que posso conseguir o que eu quiser.

Eu nunca deixei minha vontade de desistir ser maior que meu desejo de a desafiar.

Mas mesmo assim andei desanimado, fora de órbita e do meu caminho. Como se tivesse acordado de um sonho profundo, agora tenho a impressão que passei os últimos tempos mais gastando tempo do que aproveitando, mais me desviando do que me encontrando. Foi inevitável me questionar com veemência, colocar o dedo na cara do meu próprio reflexo no espelho e tentar arrancar do peito uma resposta que trouxesse também pra fora essa agonia maldita que me faz me sentir perdido e muito longe de qualquer coisa concreta. Eu realmente passei esse tempo todo tão errado e ainda achando que estive certo? Céus, não sei se é pior saber disso só agora ou se era pior continuar cego. A ignorância é uma benção, já ouvi dizerem por aí. E não é que agora eu acredito!?

Eu sempre passei por cima dos “nãos” da vida.

Eu sempre acreditei que eu podia fazer o que eu quisesse.

Eu sempre preferi ver a vida pela ótica do otimismo.

Mas mesmo assim isso não me privou de tomar porrada. Mais até: fui acusado de ser quem eu sou. Assim mesmo, como se isso fosse um crime. Como se eu tivesse culpa de tentar revolucionar tudo. Pelo simples motivo de que amar e mudar as coisas me interessa mais. E não é que é igual pra todo mundo? Me surpreende eu ter pensado que seria julgado pelas minhas boas intenções enquanto julgo o resto do mundo pelas suas atitudes finais. Não ia ser apenas com boas coisas que iria conseguir me blindar. Para não se queimar com qualquer coisa, a gente precisa conhecer o fogo. Para não ter medo do escuro, a gente precisa ter visitado as sombras e passado um tempo por lá. Ir à luta e conhecer a dor, pra assim valorizar como justa toda forma de amor. E não é que o poeta aquele era sábio mesmo!? Não esse que aqui escreve. Este que vai aos poucos jogando sua alma no teclado e, dessa forma, encontrando sua verdade, tem feito pouco. Nós temos feito pouco, você sabe que sim. Nós temos tanto para deixar nesse mundo, um legado para ser construído! Um legado de exemplos e atitudes, de palavras e saudades… E para levar então? Nem se fala. Dizem que da vida a gente não leva nada quando parte, mas eu discordo. A gente leva tudo aquilo que ficou na nossa alma. Tudo que marcou, que tocou, que nos modificou. A gente deixa um pouco de tudo e leva de tudo um pouco, isso sim.

Mas te lembra que eu falei: a gente tem feito tão pouco…

Como se eu fosse criança descobrindo o mundo mais de perto, invento mais uma dança pra fugir de tudo que é incerto.

Eu realmente ainda tenho muito o que aprender.

paulinho

Paulinho Rahs

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Sobre Jornalismo de Boteco

Paulinho Rahs Escritor, compositor, poeta solitário, vocalista da Arcadia e criador do Jornalismo de Boteco. Entusiasta, subversivo e magnânimo, contém na lista de vícios café, cerveja, o Foo Fighters e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. https://www.facebook.com/PaulinhoRahsOficial/

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