11/04/2017

Auto amor

Há algumas semanas, em uma rede social qualquer, entre tantas que a gente tem, eu vi um post sobre uma famosa “x” – que eu concordo, é maravilhosa -, uma frase me chamou a atenção: “INCRÍVEL COMO ATÉ DESARRUMADA, ELA CONSEGUE ACABAR COM A NOSSA AUTOESTIMA”.
Essa declaração me chocou e continuou me chocando, porque, sinceramente, acho que é este, um dos grandes problemas da nossa sociedade, ou das gerações mais jovens: possuir uma autoestima TÃO BAIXA, a ponto de tê-la “acabada”, porque um famoso saiu desarrumado, mesmo que este “desarrumado”, envolva um look no valor de um carro popular. Sabe, “autoestima” é “autoaceitação”, ou seja, uma postura positiva com relação a si mesmo como pessoa, estar satisfeito e de acordo consigo, ter respeito a si próprio, ser “um consigo mesmo” e se sentir em casa no próprio corpo, possuir “autoconfiança”, ou seja, uma postura positiva com relação às próprias capacidades e desempenho. Então, onde foi que a gente errou?
Talvez, esta, seja a era em que mais se fala sobre amor próprio, e menos se vê pessoas “amando a si próprias”. Este autoamor que tanto se bate no peito, cai a cada momento, e a tendência, é colocar a culpa em alguém. A tendência é colocar a culpa no outro porque ele é negro, branco, pardo, índio, rico, de classe média, roots, boho, seguidor de tendências, afro, europeu, asiático, árabe, latino, magro, gordo, hetero, homossexual, passivo, babaca, sem caráter, bonzinho, de palavra… coloca-se a culpa no outro por diversos motivos que, muitas vezes, pode-se soar quase como estupidez. A culpa tem que ser sempre de alguém, e como essa pessoa fez, ou faz, eu me sentir inferior… Mas a culpa nunca é minha, por não me amar como eu deveria, por não cuidar do meu “eu”, como eu deveria. A culpa nunca é minha, por endeusar uma pessoa que jamais vai saber da minha existência, e está pouco se importando se eu estou viva ou morta, e se importa apenas se eu a faço lucrar de alguma forma. Diz-se não ter padrão, mas criam-se novos padrões “despadronizados”, e você está errado se não aplaudir e jogar flores.

A verdade é esta: nós criamos doentes emocionais, e sustentamos a doença deles. E nós estamos no meio, viu?
A geração atual é fraca, briguenta (pelos motivos errados), extremamente hipócrita, e é feita de marionete a cada segundo. O problema está em não ensinar às pessoas a se amarem e ponto final. O problema está em jogar as pessoas umas contra as outras, por que “olha lá, ele está te oprimindo com o padrão dele”, “ele está te oprimindo com a cor dele”, “ele está te oprimindo por causa da classe social a qual ele pertence”, “ele está te oprimindo porque é mais bonito que você”, “ela acaba com a minha autoestima, porque ela é uma deusa”, mas na verdade, eu a coloquei naquele pedestal, e eu a julgo melhor do que eu. Mas espera um pouco… EU não sou o suficiente para MIM?
Entre tantas urgências existentes por aí, esta é gritante: aprender a se amar, a se perdoar e a perdoar os outros, e então, levar o amor próprio adiante, ensinando os outros a se amarem também. Não precisa ser formador de opinião para ensinar alguém que ela é digna de seu próprio amor, que ela é a primeira pessoa à quem deve amar. Sou eu comigo e você consigo. E o outro, com ele mesmo. E qualquer um de nós, com um psicólogo, porque algumas dores são difíceis demais pra gente superar sozinho, e talvez, sejam estas dores que travam a nossa autopercepção, e isso não é vergonha. Então, no exercício e aprendizado do autoamor, tenha isto bem formado na sua mente, para repetir para si a cada manhã:
Eu apenas sou oprimido pelo outro, se eu permito. O outro só me atinge, se eu deixo. Eu só sou colocado para baixo, porque eu deixo. Nem sempre a postura do outro é para me oprimir, me alfinetar, me abalar, me calar, me chatear ou me diminuir. Eu sou especial. Eu sou digno de amor. Eu sou amável. Eu sou querido. Eu sou alguém. Eu sou inteligente. Minha opinião é importante. Eu sou bonito. Eu sou vitorioso. Eu sou legal. Eu sou cheio de boas características. As minhas dores não são frescura, e eu vou superá-las! Os meus sonhos não são besteira. Eu consigo. Ninguém é melhor do que eu. E eu NÃO SOU melhor do que NINGUÉM!

E vá ser feliz, independente de quem o outro é, porque todos nós somos especiais à nossa maneira, de forma peculiarmente autêntica, com todas as nossas estranhezas, nossas belezas, nossa forma de vestir e andar. Você é um diamante, extremamente valioso e brilhante: PERCEBA-SE!

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Débora Cervelatti

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