Andava aborrecido, sem motivo, por qualquer coisa ultimamente. Tinham sido semanas corridas em que, devido outras prioridades, esquecia-me fortuitamente de cuidar da saúde, pulava refeições e dormia pouco. Apenas por precaução resolvi fazer um check-up com o doutor. Terminada a consulta e a bateria de exames, pensei não ter mais nenhum compromisso pelo resto da tarde.

Foi então que ligaram do Pet Shop, estranhei que tivessem notícias sobre mim, de fato não tinham. Todavia, Lola -uma buldogue francês- já estava liberada: pronta e de banho tomado. O pet fica a uma quadra do meu condomínio. Pensei que se a soltassem, ela bateria aqui em casa na certa, sem erro. Viria às pressas, uma vez que odeia tomar banho

Também pudera, quem aguenta a histeria daqueles shih-tzus mimados da high society que moram abaixo da linha do equador?! Talvez minha cachorra tenha adquirido a personalidade rabugenta do dono. A moça da loja me aconselhou a buscá-la. Era o mais prudente e o mínimo que poderia fazer depois de tê-la abandonado em má companhia canina. Mas não poderia ter feito de forma diferente, a danada fedia há uma semana e insistia em subir na cama.

Peguei as chaves do carro -não se antecipe me chamando de comodista!- o sol estava quente pra ir a pé- nem de fresco- não me referia aos meus pés, protegidos e reconfortados num par de sandálias, mas sim para as patas dela. Cheguei ao pet, paguei a conta salgada, recebi o troco mirrado e quase ia esquecendo a encomenda que fui buscar.

A moça pediu que eu aguardasse, estavam terminando apesar de me ligarem dizendo que ela estava pronta. Explicou que o banho tinha sido dado, faltavam apenas os adereços. Enfeites que não sei pra quê, pois nunca vi cachorro algum aumentar a autoestima por estar todo enfeitado. Disse que não era preciso. Foi tarde, me entregaram a cachorrinha que aos prantos implorava-me para nunca mais fazer isso com ela, prometeu se comportar e fazer o xixi no local certo e nunca mais subir na cama. Aceitei a oferta e fomos pra casa.

Ela agora se coça com a pata dianteira, e não pretende parar temendo não consegui arrancar todas as lantejoulas coladas em seu pelo curto, enquanto eu coço a cabeça aguardando notícias da saúde. A gente se preocupa à toa.

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Caio Lima

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