Era apenas mais um daqueles dias em que ela acordou sem saber ao certo qual era o real sentido da sua vida, por mais que as coisas pareciam estar indo na direção certa, algo em sua alma dizia que não estava tudo tão certo assim. Levantou, colocou seus sapatos novos, que estava guardando para uma ocasião especial, e resolveu sair sem ter certeza de onde iria.

Ela nunca havia feito isso antes, sempre fora muito organizada, gostava de listas, mentira ela a-m-a-v-a listas, tinha uma para cada momento do seu dia, morria de medo de esquecer de fazer alguma coisa. Foi andando, andando até parar em na porta de um café que pelo que parecia tinha sido inaugurado há poucos dias. Resolveu entrar e pediu um duplo sem açúcar e bem forte. Ela nunca pedia café sem açúcar, mas dessa vez algo dizia que ela precisava disso.

Entre uma xícara ficava rabiscando em seu guardanapo histórias que inventava sobre as pessoas que entravam ali, uma senhora com uma criança, um jovem de terno e gravata que parecia estar morrendo de calor, mas que precisava de manter a pose de um homem sério, duas garotas que se divertiam contando como tinha sido divertida a noite anterior.

Quando ela percebeu já estava assim há horas, vendo as pessoas entrarem e saírem daquele café. Cada uma com sua história, com seus sonhos, com seus medos, suas conquistas e suas batalhas interiores, ela então percebeu que era isso o que a incomodava. Estava a tanto tempo na mesma rotina que não conseguia ver desafios na sua vida. Tinha um trabalho estável, que gostava, mas que fazia as mesmas coisas todos os dias. Tinha bons amigos, que a levavam, mesmo contra sua vontade, para as melhores festas, que ouviam suas melhores histórias, que eram suas melhores companhias. Tinha uma casa, um cachorro, tinha tudo aquilo que sempre quis. Parecia que sua vida tinha chegado ao topo e ela mal tinha feito 30 anos, o que faria o resto da sua vida?

E sem uma resposta certa saiu do café direto para casa, começou, para variar, a fazer uma lista de coisas que ainda queria fazer, mas que vinha adiando. Comprou uma passagem para o mês seguinte, mesmo sem saber se poderia deixar seu emprego pelos próximos meses, mas resolveu arriscar. Percebeu que se não fizesse isso agora, se ficasse adiando, talvez a hora nunca chegasse. Do que adianta ter “tudo que sempre quis” se ainda existe muita coisa para se querer nessa vida? Ela resolveu então fazer as malas e procurar por aquilo que sua alma pedia, ela ainda não sabe o que é, mas enquanto isso não está importando em sair por aí a procura.

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Tamara Pinho

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