O amor não mata, não destrói, não enlouquece e nem aprisiona. O que é nocivo ao ser humano, e à toda criatura capaz de sentir, é a noção da impotência que temos diante de certos acontecimentos que fazem parte da vida. O ciúme, o sentimento de posse, inseguranças, medo e uma lista enorme que não merece ser mencionada, são apenas alguns dos motivos pelos quais muitas relações acabam e junto delas, ou até mesmo antes, o amor.

Sempre haverá aquilo que não podemos controlar: um desentendimento, um término de namoro, o fato de quem amamos se apaixonar por outra pessoa ou sua partida sem aviso prévio. O que nos mata não é fato de não ter dado certo ou de perdermos, mas a certeza de que acabou e que não voltaremos a ter o que tanto amamos. No meio dessa dor, desse luto necessário, esquecemos que ainda temos a nós mesmos e temos o controle sobre o modo como olhamos para tudo o que nos acontece e como encaramos nossas escolhas.

Tudo tem uma consequência e aprender a lidar com ela é um desafio sim, mas é daqueles que nos fazem mais fortes e dizem muito sobre o que somos e sobre o que ainda pretendemos nos tornar. Para viver é preciso, de fato, coragem, há muitas batalhas que travamos ou que nos são impostas pela vida, mas isso não precisa ser o que nos limita. Não podemos viver sempre com medo do que virá, medo de perder ou de se magoar.

Ninguém pode quebrar nosso coração se a permissão não vier de nós, pois é dentro da gente que está a ferramenta necessária para transformar algo que pode nos ferir em algo que nos faça crescer. Quem acredita que é possível morrer de amor vê a vida como uma guerra constante em que é preciso sempre estar à postos, na defensiva, já que crê que corre o risco de se machucar a todo instante e que, a qualquer momento, o que é bom pode desmoronar feito um castelo de areia. Enxergam o amor como uma faca de dois gumes, ora cortando o que nos faz mal, ora dilacerando nossa alma.

Quem já experimentou do mais puro amor, sabe que o que sangra não é o amor em si, mas todas as cobranças e sentimentos pequenos que podem tomar posse de nós, se não houver cuidado, e acabar com aquilo que construímos de bom. Temos tanto medo de perder quem amamos, que acabamos, de fato, perdendo, mas por nossa própria culpa, pelas desconfianças e fantasmas que nós mesmos criamos e que acabamos permitindo que cerquem nossas relações, formando um cordão de isolamento que termina sufocando nosso par, e então, culpamos o amor por tudo o que ele não é capaz de fazer: destruir.

Muitos acreditam que para amar de verdade é preciso ter a pessoa ao nosso lado, que é preciso seguir uma série de regras de comportamento, como um contrato e suas condições, e se esquecem de que o real propósito do amor é edificar o ser humano, auxiliando nossa caminhada rumo ao que, de verdade, nos faz inteiros e felizes.

 

O amor, por ser um sentimento nobre e puro, não pode fazer mal a ninguém, quando ele começa a fazer mal é porque já não mais trata de amor, é apego. É porque nos deixamos contaminar pelos sentimentos ruins que, infelizmente, não são difíceis de serem encontrados, por seres como nós que ainda não são imunes ao mal. Esses sentimentos estão sempre por aí, esperando para serem experimentados, eles viciam, apesar de amargos, e se apossam de nós e, se nada fizermos, acabam por nos moldar de acordo com seus caprichos mesquinhos.

Em determinados momentos, já ouvi casos como: “fulano se matou por amor, não aguentou a separação”, ou ainda: “ela começou a definhar depois que o namorado foi embora, parou de se alimentar, não tinha mais forças, nem vontade de viver”, e tenho absoluta certeza de que nenhuma dessas pessoas morreu por causa do amor. O que leva alguém a querer tirar sua própria vida, não é amor, e sim a falta dele. É uma enorme injustiça culpá-lo por nossa autodestruição e acredite: se te faz sofrer não é amor.

Salvo as relações em que uma das partes está gravemente doente, ou acaba falecendo, deixando uma linda história a dois, mas até nesses casos, o amor não destrói, ele parece fazer doer, mas é ele que fica depois do fim, e é somente ele que é capaz de nos fazer levantar e seguir em frente, é ele que pode curar e aquecer o coração com as boas recordações, pois quem amamos segue vivo enquanto houver amor.

O amor está em todo lugar, basta estarmos abertos para sentí-lo. O problema é que temos pressa demais, e correndo, não somos capazes de enxergar que, muitas vezes, ele está onde menos se espera. Desde a menor flor do jardim até o mais alto monte, aí debaixo do seu nariz, você nasceu com ele, todos nascemos. Ele nos é dado desde o primeiro toque de vida no ventre materno, no primeiro olhar da mãe que pega seu filho no colo pela primeira vez, na paciência paterna ao ensinar algo novo à criança que começa a engatinhar, no primeiro momento em que colocamos nossos olhos naquela pessoa e em tudo o que nos faz bem.

Há tantas outras coisas para se fazer por amor ao invés de se maltratar, principalmente transformá-lo em ações, usá-lo para ajudar alguém que necessita, transformá-lo em canção ou poesia…Precisamos entender que se mata aos poucos não é amor, se dói não é amor, se não é capaz de transformar pra melhor, não pode ser amor.

Mas o que você que escreve este texto sabe sobre amor? Também eu, já passei por desencantos, já me senti traída, senti raiva e sei que corro o risco de passar de novo, porque sou humana e imperfeita, assim como você que está lendo agora. Somos passíveis de erros e sofremos porque sabemos ainda muito pouco sobre questões tão simples que, de tão deixadas para depois, de tão mistificadas, parecem muito complexas, mas é como diz Criolo em uma das suas mais populares canções: “As pessoas não são más, mano, elas só estão perdidas. Ainda há tempo.”

O amor é a única coisa que levamos desta vida ligeira que complicamos todos os dias, e as únicas coisas que são, realmente, nossas: é o que sentimos e o que fizemos disso.

O amor é um sentimento muito nobre para figurar como o vilão de qualquer história, ele ensina as lições que precisamos aprender, nos aponta direções, nos melhora e nós permanecemos eternos quando amamos e quando somos amados. Quem ama, jamais morre de amor, só morre quando deixa de amar.

 

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Camila Bertelli

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