A madrugada chegou e nada de eu pegar no sono. Fico a reviver coisas do passado, tornando minha mente um martírio e imaginando como tudo seria se você ainda estivesse aqui. Faço planos para quando te encontrar de novo. Derramo lágrimas de saudades dolorosas por alguém que com toda certeza não lembra nem da minha simples existência. Mas dói, e não dói pouco saber que te perder foi tão fácil e assim chego a árdua conclusão de que na verdade nunca te tive por completo, que tudo não passou de uma ficção da minha mente, algo que eu queria muito acreditar e por fim se tornou demais para você. Acontece que essa minha mania de exagero nunca me abandonou, muito pelo contrário, ela faz as pessoas irem embora só para me ver nessa situação, querendo de volta um abraço, um beijo, um carinho no coração.

Para tentar suavizar a noite preparo um café daqueles que você gosta. Apesar de eu preferi-lo amargo, exagero no açúcar para ver se assim lembro-me um pouco do seu sabor e talvez com muita sorte essa saudade contínua passe. Nem que seja por um ou dois segundos, eu só quero voltar a me lembrar do tempo em que pensava em outras coisas e em outras pessoas, de quando saía e me divertia sem te procurar a cada esquina. Preciso voltar a viver de forma independente e aceitar que você não voltará para o calor dos meus braços quando o inverno chegar.

Antes da metade da xícara já estou com o celular na mão. Com uma mensagem pronta me pego inserindo o seu número, mas antes de apertar o enviar decido reler nossas conversas e relembrar a forma como me menosprezou e o pior, sem ter coragem de falar na minha cara, sem nunca mais aparecer na minha frente para me dar qualquer explicação, sei lá. Ao refrescar sua covardia em minha cabeça, apago o texto que havia escrito e volto-me a deitar e pensar na forma como tudo foi cruel e mesmo com tudo isso, não consigo deixar de te amar.

E é foda pensar em como não sou capaz de te deixar. Para ti foi tão simples e aqui no meu peito parece a missão mais complicada do mundo. Todas as vezes que cogito a ideia de esquecer, é como se eu estivesse armando um plano maléfico e tenho a sensação de que posso ser presa a qualquer instante por estar fazendo algo tão sério. Te afastar de mim é aquele tipo de coisa que só é possível fisicamente. No meu coração tu sempre estarás presente, nos meus sentimentos sua morada é ampla e na minha razão, bom, ela se foi junto com você quando meu mundo acabou.

O dia então amanheceu, aos pés da cama meu café esfriou, meus olhos não fecharam e minha sanidade desmoronou. Tentei manter a consciência em paz, permitir-me recomeçar, mas quanto mais eu penso, mais lhe amo e ao tentar esquecê-lo vejo que na verdade não quero apaga-lo de vez da minha vida. Essa provavelmente será a coisa mais deplorável que já disse, mas preciso de você, não importa se na saudade ou no fogo do nosso antigo amor, tu precisas estar aqui. De alguma forma meu subconsciente te reconhece e apesar do sofrimento ser grande, ele é menor se eu souber que de alguma forma ainda me pertences. Sendo assim, prometo levar-te comigo em todas as noites de insônia e sempre que for preciso lembrarei de motivos para te odiar, só para ter o gostinho de voltar atrás e passar a te amar cada vez mais.

Peço desculpas se por acaso algum dia tu chegares a ler isso, o que acho difícil… Mas espero que se isso acontecer, eu possa olhar para trás e simplesmente te pedir para ignorar. Espero conseguir dizer que estou bem e que todas essas palavras de amor não recíproco foram a base para a minha reconstrução e jamais me arrependerei delas. Por isso espero e creio no tempo. Ele há de te levar de mim algum dia, mas até lá as noites serão longas, meu coração será pequeno e meu amor eterno e supremo.

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Nathaly Bonato

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