O dia amanheceu chuvoso, não haviam raios de sol entrando pela fresta da janela. Nada aquecia o quarto. Meus olhos se abriram preguiçosos e o corpo não teve forças para mover-se para fora da cama. Minha confusão mental e emocional tomou toda energia pra ela e não deixou qualquer migalha para que eu pudesse seguir em frente. O silêncio era só aparente, dentro de mim um universo inteiro implodia. Milhões de partículas arrebentavam com todo meu psicológico.

Ainda moleque me apaixonei por Melissa na escola. Ela foi minha primeira paixão, mas não me deu a menor bola. Passava por mim de narizinho arrebitado e ignorava meus convites para lanchar. Já crescido e cursando jornalismo a encontrei na faculdade e o jogo virou. Era ela que me desejava e eu fiz jogo duro, mas no fundo, queria concretizar o desejo do garoto bobo que ainda vivia dentro de mim. Beijos, cinemas, alguns jantares e ela aceitou o pedido de namoro. Foram 3 anos juntos e por ela eu movi montanhas. Atendi os desejos, mudei planos e desviei rotas. Abri mão de festas, empregos, oportunidades e até preferências. E pior, abandonei sonhos. Tudo para proporcionar a ela tudo que seu coração cobiçava. Ela era meu universo.

Mas o universo desmoronou todo quando ela optou por viver uma aventura passageira. Passageira para ela, só para ela. A traição ficou cravada no meu peito. Eu rasguei fotos, joguei presentes fora, bloqueei, ignorei e, por vezes, odiei. Mas ela não sai de mim, não deixa de visitar meus pensamentos. Sempre deixando um gosto amargo na boca, sempre jogando sal nas feridas que eu ainda tento cicatrizar. Dói. Machuca pensar que ela trocou todo meu amor por uma aventura qualquer. Pesa saber que ela fez essa escolha sabendo as opções que tinha. Arde perceber que ela não sentia por mim o que eu sentia por ela. Me permiti viver o luto pela morte do que acreditei ser amor.

Ana apareceu num momento crucial do luto. Aquele em que a gente começa a sair da caverna. Ela chegou irradiante, sorrindo como se a vida fosse sempre linda. E perto dela, é mesmo. Fui contagiado pela leveza que ela carrega e ela só me fez bem. O problema mora aí, como posso retribuir tamanho bem se estou em pedaços? Não sou capaz de dar a ela tudo que ela merece. Melissa ainda brota em meus pensamentos e as feridas ardem quando noto que não estou pronto para arriscar outro tombo. Me envolver com Ana seria simples e fácil, mas perde-la seria um golpe que eu não suportaria. Já me dediquei ao amor uma vez e o resultado foi desastroso.

Talvez eu seja mesmo um covarde. Fraco para me desarmar. Medroso demais para deixar que alguém se junte a mim. Ainda preciso reunir meus fragmentos e não sei se Ana estaria disposta a me ajudar nessa batalha. Não sei se posso confiar essa árdua tarefa a alguém que conheço tão pouco. Melissa tinha meu coração nas mãos e o jogou pela janela. Ana pode fazer o mesmo e eu não sobreviveria a outra queda.

 

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Participe da conversa! 3 comentários

  1. Ansiando pelos próximos episódios! 👏👏👏

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  2. Arrasa como sempre.
    Adoro esse jeito assustado de Tiago sempre apreensivo e profundo ao mesmo tempo. Ana eu sei. Vai ajudar ele nessa jornada. O amor nunca falha. O amor sempre vence.

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  3. Gente tô me identificando tanto com ele.. Tadinho de nois..
    Mais quanto amor pela MonikaJ. ❤️❤️❤️❤️❤️

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Monika Jordão

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