28/03/2017

Alguém

Eu quero alguém. Podem ser “alguéns” também, não necessariamente precisa ser uma pessoa só. Tenho até uma ex-namorada que chegou a amar três pessoas concomitantemente. Eu nunca consegui, mas deixo todas as portas abertas. Gosto de um ventinho natural.

Voltando: eu quero alguém. Queria uma pessoa que topasse beber uma cerveja comigo agora. Sim, agora. São 05h20 da manhã, eu sei. Nunca disse que queria alguém normal. A gente iria para o bar e ia implorar para o garçom não fechar. E íamos beber uma cervejinha. A mais barata, mas sem ser Itaipava. Itaipava dá piriri. Nos dois. Eu iria olhar para você, você iria olhar para mim e falaríamos juntos: “gurjão de frango!”. E a gente ia rir a beça depois disso e se abraçar e se beijar. Beijar não, só um selinho carinhoso. E voltaríamos a conversar.

Eu ia abrir o berreiro, chorar copiosamente, dizer que sou desgraçado da cabeça. Você também é, mas, na hora, você seria a pessoa forte emocionalmente da nossa mesa. Enxugaria minhas lágrimas com as suas próprias bochechas e me ofereceria ficar ainda mais doido para esquecermos toda a dor do mundo juntos. Eu pediria um alcatrão e você um fogo paulista. A gente vira um pouco e depois troca. Mais uma vez, falaríamos juntos: “como você consegue beber esta merda?”. Gargalhadas e caras de vômito depois, começaríamos a criar soluções para o mundo.

Energia sustentável, comida sem agrotóxico, um modelo pós-capitalista, juntando tudo de bom que os economistas e sociólogos pensaram ao longo da vida, conseguindo conciliar Marx, Smith, Ricardo, Schumpeter e Hayek. Sim, nós dois resolveríamos o mundo, Amor! Não é o máximo?

Eu ia pedir, só de sacanagem, para você rebater meus argumentos filosóficos. Ia te sugerir uma visão totalmente diferente da alegoria da caverna de Platão e você ia ficar puta da vida. Já até vejo seu rostinho ficando vermelho. E a gente discutiria sobre Hieráclito e Parmênides, sobre São Tomás de Aquino, sobre Nietzsche e Schopenhauer, sobre a existência ou não de Deus e o porquê de não acreditar em algo ser tão inverossímil quanto acreditar. No final, mais cerveja para molhar nossa boca seca.

E você encostaria a cabeça no meu ombro e pediria um cafuné no couro cabeludo, mas sem dizer nada. Eu faria um movimento com os dedos bem devagar do jeito que você gosta e ficaria feliz por poder sentir seu perfume tão perto de mim. Talvez eu chegasse a fungar forte demais para sentir (esqueci o neosoro) e você ia me perguntar se eu tava com algum problema. Tô não.

E aí era chegada a hora de você abrir seu coração e me contar de todos os seus sonhos, arrependimentos, passos dados em falso ou em terra firme, sempre com aquele brilho nos olhos, não por serem claros, mas por serem vivos por si só. E eu ia ouvir com muita atenção e tentaria utilizar minha bagagem de vida para te ajudar, nem que fosse só um pouquinho. E ficaria admirando a sua inteligência, perspicácia e principalmente sua obstinação, essa gana de querer tudo que consegue ser mais eficiente do que qualquer  ISRS.

E eu te beijaria forte, de forma ardente, completamente apaixonado por você. E a gente, depois do beijo, continuaria colado, com os lábios encostados, sentindo a troca de energia que só um amor de verdade pode proporcionar. É, talvez meu coração já não comporte mais ninguém.

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Gabriel Cassar

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