Se eu não tivesse passado tanto tempo no celular durante o trabalho, não teria esquecido que o prazo final para entregar aquele relatório era as 18 horas de sexta-feira. Se não tivesse saído atrasado do trabalho, não teria deixado o carro apagar mais de cinco vezes ao tentar sair do estacionamento. Se não tivesse esquecido de tomar banho na hora do almoço para ter mais tempo no final da tarde, também não teria perdido a hora da aula.
Se não tivesse prova, não teria escolhido o caminho mais curto. Se um cachorro não tivesse atravessado minha frente, não precisaria ter desviado. Se não tivesse desviado, o pneu traseiro do meu carro não teria encontrado um prego enferrujado a beira do asfalto.
Se a prova fosse descritiva, ao invés de objetiva, eu teria demorado mais para terminá-la. Se tivesse ficado conversando com um amigo no corredor depois da aula ou encontrado por coincidência o meu esquema confirmado, teria demorado. Se não tivesse chegado tão cedo no estacionamento da faculdade depois da aula, o pneu teria esvaziado já naquela noite.
Se eu não tivesse passado no posto para abastecer, não teria calibrado os pneus do carro e um deles já teria esvaziado no caminho. Se no dia seguinte não tivesse chegado mais cedo no trabalho, não teria conseguido a melhor vaga. Se minha mãe tivesse feito almoço em casa, eu teria percebido um pneu furado ao fim da manhã quando pegasse o carro para ir pra casa. Se não tivesse ido a pé pro restaurante, se não tivesse feito hora extra ao meio-dia, ou não tivesse me concentrado no trabalho, não teria terminado tudo antes do que normalmente termino.
Se não tivesse visto o pneu furado, não teria parado na calçada. Se não tivesse parado, não teria te visto passar. Se não tivesse te visto, não teria ficado com vontade de te dar um beijo. Se não tivesse despertado em mim essa vontade, eu nunca teria experimentado a felicidade sincera daquele sorriso que eu sorri depois de ter um beijo seu e um pouco do seu carinho.
E assim que eu sinto que é o amor. Uma mão que te dá um tapa na cara no meio da noite de uma terça-feira, mas que te acorda com um cafuné no dia seguinte.
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Deivid Rafael

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