Ela não é do tipo que desperdiça seu tempo com amores meia boca. É completa, intensa e não importa o que digam: rasga o coração com as unhas só pra provar suas paixões. Debocha daqueles que não sabem o verdadeiro sentido do amor, daqueles que não amam em sua totalidade, daqueles que nunca cometeram uma atrocidade passional. De que serve o amor se não para sugar de nós até a última gota, chupar até o tutano dos ossos? Que sentido faz se entregar de corpo e alma se o fogo não fizer arder a pele? Pra ela, conjugar o amor é suicídio de seres idênticos, que querem fundir a essencial de um no outro.

Quem somos nós para julgá-la, para dizer que é uma louca, que se entrega rápido de mais, que sofre por bobagens? Ninguém! Seres opacos não servem de comparativos pra ela. Você não ia gostar de conhecê-la. Sabe por quê? Porque ela é irresistível, sedutora… Quando menos notares estará preso na teia dela, mas será tarde: perderá o sentido e sentirá o veneno do daquele amor exagerado correr suas entranhas, devorar seu nome, consumir suas certezas e dilacerar, por último, cada centímetro do seu coração. Se cruzar com ela, corra! Luana não é pra qualquer um, muito menos pra você, covarde! Desapareça e não volte, ou ela te matará de sorrisos e será pra sempre subjugado pela fraqueza de se entregar a uma paixão avassaladora!

Às vezes ela está por aí, cheirando as flores, brincando com os cães abandonados, sorrindo com as crianças, encontrando amor onde muitos só vêem dor. Luana conhece a dor de perto, já mordiscou desgraças doloridas, como ver a mãe ser espancada pelo pai e as irmãs torturadas pelo braço conservador da avó. Na cabeça dela apenas uma meta: fazer diferente. Amar mais que mãe, cuidar como o pai não cuidou, educar como uma avó-coruja. Sempre que se lembra dessas coisas com lágrimas nos olhos, afinal de contas, o passado dói – de dia e de noite. Enxuga uma lágrima perdida que rola pelo rosto e continua caminhando por entre flores em busca de aroma novo.

Um dia perguntaram se tinha sonho. Fez uma pausa gélida, sorriu tímida e não respondeu… Foi beber com os amigos, disse que mais tarde pensava nisso, mas agora só queria se divertir, os sonhos viriam com o tempo, dizia pra se enganar. A verdade é que sonhava com um abraço, mas não um abraço qualquer! Sonhava em ser enrolada por mãos e braços que um dia furtaram dela toda a alegria espontânea da vida, do único homem que fora capaz de lhe ferir mortalmente. Não, não! Melhor mudar de assunto. Vamos falar de amor! Era de amor que queria falar, era de desejo, queria afogar risos em novos lençóis.

Ah, Luana, nunca lhe passou pela cabeça que a vida cobra caro? Que gastar tanto sentimento com gente vazia lhe sugaria as esperanças… Será que não vê que, sempre que se olha no espelho, está mais pálida e que suas paixões estão lhe deixando em carne viva? Por Deus, Luana, segure seu coração, amanse suas paixões…

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Flávio Sousa

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