Não me despeço de você, me despeço do que eu costumava me tornar quando estava ao seu lado. Me despeço da dor e de tudo o que me mantinha guardada, privada de mim.

De tudo o que eu atirei pela janela de manhã, quando acordei e vi a cama vazia com seu cheiro insistente. Perturbador.

Isso que eu sinto não pode ser amor, nem nenhum outro sentimento divino. Ou pelo menos que alguém acredite ter sido criado por Deus. Ele não existe para os desesperados como eu.

Atirar-me pela janela como fiz com as lembranças não mudará o que aconteceu, não resolverá o quebra cabeças.

Tantas vezes me ajoelhei aos pés de um  santo de altar, que nem mesmo acredito, na vaga esperança de apagar as pegadas do medo e da loucura que se apossaram de mim.

A verdade é que eu não suporto mais essa realidade distorcida, pagar o preço de não ter mais ninguém a quem suplicar  e ser obrigada a crer numa fé que não é minha, encarar de frente o terror do cotidiano que me mata aos poucos.

Ter que oferecer a preço a única coisa realmente minha que me sobrou depois de ter você.

Minha liberdade não te pertence. A estrada cuidará da caminhada e eu de esquecer que ainda sangro.

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Camila Bertelli

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