Eu sempre chamei de “patéticas”, as pessoas que diziam sentir saudade do futuro… Até encontrar você. Eu também não acreditava em destino, mas parece que até mesmo os ponteiros dos relógios se ajustaram por nós, como se uma linha invisível, nos amarasse, cada um em uma ponta, e nos puxasse para perto. A relação entre tempo e espaço também olhou para nós, e parece ter se readequado, e então, se apropriado de duas histórias. Linhas inteiras de causalismos. Efeito borboleta. Coincidências significativas. Sincronicidade. Como duas ondas, que se chocam e formam uma só. Elas viajam o oceano inteiro, por anos à fio, através de gerações, para chegarem na coordenada geográfica exata, no mesmo dia, no mesmo horário, em que até os segundos são os mesmos. E elas colidem, se chocam, formam uma só e voltam para o mar, iniciando novamente a busca de uma pela outra. Se há outra explicação melhor do que esta, eu desconheço.

Não vou começar a fazer contas, e tentar definir em exata precisão quantas vezes o meu coração foi quebrado, mas me parece que, de uma só vez, você reestabeleceu toda a ordem que foi perdida, e, como um desfibrilador, você fez com que eu me sentisse viva novamente. Porque a gente vive de pensar que o amor chega no momento perfeito, quando estamos em estado impecável, apenas esperando para que ele chegue… Bem, o amor chega quando bem entende. Aqui, ele chegou quando o meu coração parecia uma enorme e antiga ruína de guerra, cheio de buracos de balas e paredes derrubadas por bombas, com raízes de árvores o abraçando, que mais pareciam os templos de Ta Prohm e Ta Som, do complexo de Angkor, no Camboja. As minhas ruínas recebiam turistas, que fotografavam a beleza trágica do que um dia havia sido uma suntuosidade. Então, o amor me salvou; acabou com toda essa balbúrdia instaurada, reconstruiu os meus muros, cortou todas aquelas raízes de árvores enormes, e as transformou em móveis lindos. E, de certa forma, parece que eu fiz o mesmo com você. Eu, que sempre estive à mercê do teu caminho. Você, que sempre rondou a minha vida sem saber.

Dizem que o tempo é relativo, e eu só acreditei agora. Porque antes, o tempo parecia se arrastar, mas depois de você, cada segundo da sua ausência parecem várias eternidades que correm feito cavalos de corrida. E é por isso que a mais nova patética sou eu: porque eu sinto saudades de tudo que nós ainda não vivemos. Sinto saudades enormes do nosso futuro juntos. Sinto saudades de todas as viagens que vamos fazer, para todos os destinos que já escolhemos. Eu sinto saudades do futuro, desde que ele seja com você, desde que estejamos de mãos dadas, os seus olhos estejam me contando segredos e nossos abraços residam um no outro. O mundo acabou de se tornar minúsculo como um amendoim, e qualquer distância, por mais culpada que seja, acabou de se tornar um novo fator encorajador.

Vem aqui, me tira logo para dançar que o resto do mundo está esperando. Me tira logo para dançar, do seu jeito tão diferente do meu, que eu prometo, vou deixar que o mundo inteiro veja. Mas o faça depressa, porque eu já estou morrendo de saudades do próximo minuto, da próxima hora, dos próximos dias, anos… Eu já estou morrendo de saudades do nosso futuro, e de tudo aquilo que nós temos para viver, ver e conhecer, lado a lado.

As ondas que colidiram enquanto o destino era tecido, viajaram o oceano inteiro procurando uma pela outra, e, enfim, colidiram. A linha invisível do destino, finalmente se tornou laço.

O nosso futuro, enfim, chegou.

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Débora Cervelatti

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