Estou contando nos dedos os dias que faltam para que eu deixe de amar você como nunca amei ninguém. Faz tempo que conto. Faz tempo que os dedos acabaram. Estúpida, fico aqui ansiando a sua chegada quando tudo o que  você soube fazer foi ir embora de um jeito tão duro e inesquecível.

Esse amor nunca foi Hollywood, nunca foi o tal conto de fadas que todos liam na esperança de encontrar a água que faltava para encher os rios vazios do coração. Você nunca foi meu completamente e foi bom que eu soubesse disso à tempo de querer te tirar do peito. Moço, você foi meu pior desespero, meu passado incólume, minhas linhas tortas que Deus escreveu para que eu pudesse aprender a quem não dedicar confiança.

Sabendo de tudo que me fez, continuo contando as horas para que eu não te queira perto no sábado à noite e te faça um café forte. Guardo numa gaveta doída as tuas camisas de time que sempre gostava de vestir, as besteiras que escrevia para que eu acreditasse que era só para mim que dizia “eu te amo”, as suas agendas vencidas e vazias e as saudades invisíveis que não cabiam em um guarda-roupas lotado de tudo o que me lembrava você.

Não poderia imaginar que fui seu grande teste, a aposta arriscada que, de uma forma ou de outra, você investiu sabendo como terminaria. Fui uma tentativa. É isso. Fui sua tentativa mais incerta, aquela capaz de tranquilizar-te o coração quando, ao menos, pudesse dizer “eu tentei”.

Ainda assim, sabendo dos outros riscos que corria por aí enquanto tentava livrar-se do meu, das bocas que caminhava enquanto afastava-se da minha e dos meses e meses jogados fora enquanto buscava um lugar carinhoso para me jogar fora também, conto os minutos para que eu consiga me libertar de suas lembranças e fazer de suas chegadas, meras invisibilidades de passado, meras lembranças, meras penumbras de memórias, apenas “só isso” ou “só aquilo”.

De todos aqueles que se foram, presumo que você tenha sido a maior esperança. Mas tudo não passava de mim. De um amor sentido por mim. De uma causa que só eu lutei e verdades que só eu acreditei. E de todos os amores, foi você o único a mostrar como as coisas funcionam de verdade da porta do coração para fora. E isso é a única coisa que quero que fique: o que você me ensinou. O fato de não acreditar em promessas sentidas e ditas da boca pra fora.

Está mais perto do que longe. Creio que esteja chegando o seu fim para mim.

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Das Dores Monteiro

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