O abraço arruma a gente por dentro. Receber um abraço é um sossego aos diversos rompimentos que temos de nós mesmos durante o dia. Sozinho, a gente se solta. Ser livre é bom. Ser livre ao lado de alguém é o desejo de muitos. Mas, sentir a leveza da liberdade dentro de um abraço, é a melhor coisa do mundo.

Tem abraços tão fortes e tão intensos, que a gente sente paz. Repare, o mundo desabando lá fora ou alguém com uma dor dilacerante no peito, perdeu um ente querido e, ao receber um abraço demorado e apertado, silencia o choro e sente. Internaliza aquele gesto como se mil palavras não fossem suficientes para amenizar a dor do momento. Ser abraçado na dor, faz parecer que os braços deixam de ser uma parte do nosso corpo, pra ser do outro.

Veja que a falsidade se esconde no olhar, no aperto de mão, no sorriso. Mas, é muito difícil pessoas que não se gostam se abraçar. O abraço, de verdade, aquele que aperta e segura nosso corpo com força, é inalcançável aos braços dos que nos desejam mal.

Ficar uma tarde nos braços de quem a gente ama, na cama, na rede ou no sofá é tão confortável que, quando a saudade aperta, é aquele momento que queremos eternizar. E quando acontece o cruzamento da troca desse laço, a nossa alma vai pra qualquer lugar encantado dos nossos sonhos, acompanhada da alma de quem nos deu o abraço.

O abraço é contato. É a prova de que Tom Jobim, quando escreveu “é impossível ser feliz sozinho”, estava certo. Podemos ser felizes, sim. Lógico. Ir a festas e baladas. Conhecer pessoas e beijar muitas bocas. Fazer tudo só, se tivermos vontade. Mas, tenho certeza, que é de um ‘abraço casa’ do meio da letra da canção da Ana e Vitória que desejamos quando voltamos pra casa.

A falta do abraço custa caro, meus amigos. Porque relação e amor, sem abraço, não se sustenta. O abraço é o regar com doses incendiárias o sentimento. Revela carinho, conforto e intenções. O fogo se acende no beijo, mas é no abraço que almas se reconhecem.

Na dor, no amor. Na tristeza. Sem nada a dizer. Na despedida ou na chegada. Nas idas e vindas da vida. Aquele arrependimento pelo abraço não dado. Um gesto simples, mas de uma força indescritível e um remédio imprescindível para o nosso dia a dia.

“Sorria e abraça seus pais, enquanto estão aqui”, canta Ana Vilela, nesse hino de viver a vida “Trem Bala”. Abrace mais. Não só seus pais. Mas, quem você ama. Quando foi a última vez que abraçou o seu irmão? Os seus avós? Um amigo ou uma amiga? Quando foi o último abraço apertado que despertou fogo e desejo em seu par? Não espere alguém necessitar do abraço. Não espere alguém desembarcar do trem bala pra contabilizar os abraços perdidos no tempo por falta de coragem. Entenda e compreenda a sua força. Troque essa energia. Viagem pra o melhor lugar do mundo que, segundo Jota Quest, é dentro de um abraço.

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Participe da conversa! 1 comentário

  1. Já sou apaixonada por abraço e sei o motivo de amar tanto. Desde pequena meu pai sempre me dava aqueles abraços tão apertados que às vezes tinha que falar ” Ai pai, vc vai me estourar, para!”, mas era sempre aquela sensação mais maravilhosa do mundo, ficava sem ar, kkkkkkk.
    Agora vão fazer 4 anos que ele se foi, e o que mais sinto falta é daquelas abraços dele.
    Até hoje o que mais definia abraço para mim era o trecho da música do J Quest “o melhor lugar do mundo é dentro do abraço”, mas depois de ler este texto achei todas as definições e sensações do mundo para descrever.
    Edgar Abbehusem, parabéns por todos seus textos, fazem parte diariamente da minha vida, mas esse me emocionou de uma forma!
    Muito obrigada!!

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Edgard Abbehusen

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