Ela conversa e desconversa sobre todos os tipos de assunto. Fala um pouco do niilismo do Nietzsche, sobre a poética do espaço de Bachelard, e sobre como as mulheres andam tão trancafiadas por conta de outrem. Ela é daquelas que deseja conhecer o mundo inteiro, e não se contenta com metades. Ela é amor-inteiro, não meia-boca.

Livres são as mulheres levadas e traquinas, ela insiste em dizer.

Ela muda de opinião como o céu muda de cor. Diz que sempre é bom sofrer mudanças, é um ponto crítico para se alcançar a maturidade. Ela é um arco-íris por dentro e por fora, também. Tem unhas vermelhas, vez em quando azuis, mas vai depender da cor do batom que estiver usando. Ela não planeja nada, viaja por estradas sem roteiros, fala sobre o mundo sem scripts, vive a vida sem encenar absolutamente nada.

Ela tem um quê de todos os tipos de mulheres por aí. Sorrir como uma linda mineira, beija como uma perfeita pernambucana, te olha nos olhos como uma esplêndida carioca. Ela vive por suas venturas e aventuras e não necessita de ninguém para alcançar seus sonhos.

Tudo é sobre ela.
Tudo é dela.
Tudo é ela, e ela é tudo.

Ela é tudo o que quiser. E faz questão de alertar todas as mulheres das quais se esbarra pelo mundo afora;

– Amiga, mulheres comportadas demais, raramente fazem história.

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Pedro Ficarelli

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