PORQUE A VIDA NÃO É UMA COMÉDIA ROMÂNTICA

 

Eu tinha dezessete benditos anos, acreditava e, como diz a canção, baixava minha cabeça pra tudo. Talvez apenas tivesse medo do inseguro, do que eu não conhecia, mas de amar eu não tinha receio e todo o tempo do mundo estava à minha frente. Foi aí então que eu pulei.

Fui uma adolescente que assistia a filmes de romance e, sonhando viver algo parecido, pedia a Deus que me enviasse um amor difícil. Desses que sangram, demoram a dar certo, mas que no final, irremediavelmente, são realizados, tudo é explicado num perfeito encaixe e fazem valer os anos de espera e choro abraçando o travesseiro. Pedi tanto aos céus que ele veio. O tal amor difícil digno dos roteiros água com açúcar.

Não teve sequer a chance de ser vivido com profundidade. Avassalador sim, mas breve e fraco demais em sua essência.

Hoje eu sei que isso tudo é uma grande perda de tempo e que uma mulher de coragem não deve usar seus superpoderes apenas para se concentrar no que causa dor. Uma mulher que sabe do seu valor não merece sofrer tanto por algo que ela nem sabe se é amor e eu não sou mais uma adolescente pra acreditar que ainda tenho todo tempo do mundo. Respeito minhas experiências, mas não costumo dar chance à repetições. Não sou mais aquela menina. Peguei o que ela tinha de melhor e cresci, sigo crescendo.

Nem sou tão romântica a ponto de sonhar acordada e se acaso amar for sinônimo de sofrimento, dispenso, prefiro viver de pequenas paixões a ser refém de amores bandidos.

O amor, para ser bonito não precisa ser triste. Nenhum romance cinematográfico se compara à beleza de se lançar ao mar em que navegam os descomplicados e distraídos amantes da vida real. E como dizia Leminski: “distraídos venceremos”.

A culpa é toda minha mesmo, eu pedi pra ser assim. Julguei estar com a razão, mas isso já passou. Pensei que o mundo girasse em torno do amor, mas na verdade, é ele quem faz o mundo girar, e eu não sabia. Ainda não.

Antes, eu me decepcionava com o outro por não seguir o script que eu imaginei para a  história, mas já não lamento por ter deixado que me fizessem crer que para ser bom era pra ser assim, sofrido. O que realmente importa é que hoje sei que, ao contrário do que Vinicius de Moraes dizia, o amor só é grande se fizer a gente crescer e não simplesmente pelo sofrimento que pode vir com ele. *

Parecia tão bonito sofrer por amor na tela. Afinal, a recuperação era certa. Não faltavam oportunidades do destino e o “luto” durava pouco, tão logo aparecia outro amor ou aquele mesmo completamente curado.

O “the end” só aparecia quando tudo se acertava. Mas o que é um final feliz senão o início de um novo roteiro? Eu tinha medo porque nunca me mostraram o depois, não me disseram nada sobre o que acontece depois da tela escura cheia de letras.

Sobem os créditos, mas outras histórias se preparam, são os novos ciclos chegando, a vida não acabou. É o fim daquele sonho de ter um amor de hollywood e o início da realidade pra mim.

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Camila Bertelli

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