Ontem me deitei para dormir e pensei em você. As borboletas chegaram a bater asas no meu peito quando seus olhos brotaram nas minhas lembranças. Lembrei das suas mãos buscando as minhas durante aquele filme e a alegria que senti quando sua boca tocou a minha. Recordei o feriado no sítio, quando dormimos de conchinha e eu me senti segura e protegida do mundo. Evoquei o dia em que você assumiu sentir ciúmes e eu me senti valorizada. Pensei na tarde em que você disse que eu era a garota certa para você e no sorriso bobo que eu te dei. Lembrei da noite em que você me olhou por alguns segundos e disse: “Você é tão linda”, quase pude ouvir sua voz pronunciar essas palavras de novo e meu coração disparou mais uma vez.

Você não sabe, mas eu te amei. Nunca te disse isso porque, de alguma maneira, eu queria guardar a beleza desse amor só pra mim. A reciprocidade não existia e eu optei por guardar o amor aqui dentro. Era mais confortável manter tudo na ilusão do “Se” do que escancarar e ver a porta bater. Fui covarde, eu sei, mas não me arrependo. Você teve uma importância que jamais entenderá. Eu já não acreditava mais na minha capacidade de amar e me envolver e seus imensos olhos me provaram que eu ainda posso me doar.

Você foi o último que fez minha pulsação acelerar, que me fez romantizar um beijo, eternizar um sorriso e baixar as muralhas. Também foi o último que me machucou, abriu feridas e lesionou meu coração. Mas isso também faz parte e o conjunto fez tudo parecer mais real. O amor partiu assim como você e ficaram aqui apenas as lembranças bonitas e cruéis. Por mais que o ponto final seja marcante, são as vírgulas que me levam de volta ao passado. As entrelinhas, reticências e parênteses. Um mundo de coisas que eu vivi sozinha na sua companhia.

Pensando bem, acho que ontem não pensei em você, pensei no que já senti por você. É engraçado como, depois de um tempo, o que a gente sentiu é mais importante do que o momento vivido. Nossa história não foi bonita, nossos planos não saíram do papel, nosso romance não vingou, mas o que senti ficou marcado. As lembranças são dolorosas de visitar, mas quando lembro das borboletas agitando meu peito, sorrio. Obrigada!

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Monika Jordão

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