19/02/2017

Moço…

Antes de tudo afirmo-te que sou sobrevivente. Amarga e dura, não estive disponíveis para os amores rasos e declarações inférteis que a atualidade tanto propõe aos seus súditos. Eu preferi, quase espontaneamente, ser o contrário de tudo e de todos, pus o silêncio no lugar do amor desejado. E não nego: Aquele vazio fez-me feliz como pouquíssimos fizeram!

O estranho é que aparecestes gostando de Chopin enquanto eu havia posto em segredo essa minha peculiaridade que, repito, era só minha. Mas algo parecia deixar de ser só meu. Nossas estranhezas tão notórias eram o que tínhamos de mais sincero e puro.

Teus gracejos, teu jeito insuportável, teus esquecimentos, tuas insistências, a tua permanência quando já tinha dado o tempo de ir embora… Todo o vazio ia acabando e o a independência não sabia como fazer para disfarçar o olhar de quem estava novamente, não mais que novamente, embarcando em mares turbulentos e dias tempestivos. Na verdade era isso que o amor representava: Tempestade!

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Fui. Disse “SIM” à nova embarcação. Arrisquei. Desisti. Voltei. Cansei. Descansei. Recomecei. Porque antes de finalizar meus estudos sobre Amor e descrevê-lo como insano e cruel, decidi tentar a reciprocidade; naquilo que fazia a presença de outrem ser tão necessária, que faziam os estômagos alheios de jardim a ponto de sentir as tão faladas e “tolas” borboletas.

Apaixonei-me pelos olhos verdes. Pelos dias que se iam e permanências infindas. Gostei da distância, do encanto da saudade e do coração partido. Amei os fins pelo simples fato de tornar-te eterno em meus pensamentos, uma vez que toda presença é incerta e finita. Fiz questão de colocar-te em meus planos futuros, como se nenhuma outra realidade fosse possível de existir sem ti, (embora existam). E teu peito, meu querido, foi o melhor travesseiro que encostei. Teu sono, o melhor sonho que dormi com alguém.

Quebro, neste instante, o sentido do texto para dizer que o que mais amo em nós são as reticências…

Elas sinalizam, continuidade. Eu quero continuar em ti.

das-dores-monteiro

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